Dizer eu te amo enquanto faz amor

Eu te amo, eu te adoro, não sou nada sem você, é bobagem, mas eu choro só de pensar em te perder. 34 frases lindas de amor para aquecer o coração Que Deus ilumine sempre o nosso namoro, para que este amor verdadeiro que existe entre nós cresça ainda mais num clima de alegria e felicidade. Dizeres Lyrics: Amor, é que faz tempo que cê me ligou / E eu fiquei aqui a procurar / Motivos que justificassem a tua falta, amor / Não é pedindo pra você ficar / Mas se quiser eu nem vou ... É muito importante mostrar às pessoas que elas são importantes para nós e uma das maneiras de fazer isso é dizer eu te amo indiretamente. Se você não sabe como fazê-lo e quer demonstrar o seu amor por outra pessoa com atitudes, esse artigo do umCOMO explica como dizer eu te amo sutilmente. Lindo Kézia!! Confesso que, demorei um pouquinho pra dizer Eu te amo pra meu namorado kkkk Até porque ele foi quem disse primeiro, quando éramos amigos de paquerinha!!! hahaaa Mas, depois de anos e anos de amizade e de paquera, começamos a namorar e eu já não podia mais esconder ou guardar esse sentimento tãão forte. Acho que quando temos certeza de algo nós não conseguimos esconder ... Por que dizer 'EU TE AMO' é tão difícil A resposta parece simples, mas não é. A expressão 'EU TE AMO' traduz um conjunto de sentimentos nobres (cuidado, apego, carinho, amizade, aceitação, comprometimento, intimidade, doação, respeito, admiração). E por serem nobres são muito frágeis. É importantíssimo dizer 'eu te amo' com um tom de voz baixo que indique segurança, calma, inclusive poderia sussurrar em seu ouvido estas maravilhosas palavras. Se quiser fazer isso em um lugar público que seja íntimo de certa forma, mas houverem mais pessoas, tente que elas sejam de confiança. Dizer 'eu te amo' não é fácil. Depois de sentirmos no peito a certeza genuína do amor, vem a dúvida do melhor momento e do jeito certo de dizer. E junto com a dúvida, vem também o famigerado medo de não ouvir uma palavra de reciprocidade, de não ouvir o ecoar da voz do outro ao dizer 'eu também te amo'.

Escritor a beira do colapso

2020.09.30 21:06 pla-to Escritor a beira do colapso

Olá, Brasil
hoje venho lhes apresentar meu dilema. Gostaria de saber se os senhores podem me auxiliar, pedindo desculpas antes mesmo de começar a me explicar, tendo em vista o tamanho do post que abaixo segue. Para quem possuir a paciência e a resignação de ler até o final, só me faz possível agradecer e lhe estender um virtual e fraternal abraço.
tl;dr>! sou bipolar e gosto de escrever, não tenho um puto no bolso pq anos de estudos de filosofia e literatura me tornaram incapaz de conviver de maneira adequada nessa sociedade doente, peço que avaliem meu trabalho para que eu saiba se há futuro para mim na escrita e, também, que me ajudem com conselhos profissionais, doações ou de qualquer outra forma para que eu possa sair da cidade em que resido e busque um lar em São Paulo.!<
Vamos lá:
Me chamo Dillon Hagar (meu pseudônimo literário) e tenho ~30 anos. Sou formado em direito e administração com pós em direito penal e processual penal, não que isso me seja muito relevante sobre quem sou, acredito estar mais relacionado com minha história.
Venho de uma família brasileira típica: meu pai e minha mãe são pessoas honestas que sempre trabalharam (muito) para buscar oferecer o melhor para meu irmão e eu. Apesar da extrema formalidade que compele o viver dos dois, sei por fato e história o quanto eles nos amam. Meu pai sempre foi um cara absurdamente estourado e - até recentemente - acreditei que isso era apenas seu jeito de ser, afinal o cara já engoliu alguns sapos da vida (principalmente de sua falecida mãe).
Talvez pelo fato de ser tão estourado, permiti por muito tempo que minhas escolhas fossem feitas por mim, afrontar seus nervosismos só me gerava ainda mais ansiedade. Sempre me foi difícil o necessário pisar em ovos com ele, já que somos pessoas absolutamente distintas. Seu ideal de justiça é através da imposição da violência enquanto sou apenas um advogado que valoriza o debate, defende as garantias e direitos individuais e conhece um pouco das mazelas do nosso maravilhoso Brasil.
Fiz uma faculdade (duas, se prezar pela especificidade) que me habilitaram em uma profissão que não tinha e nem tenho a menor intenção de exercer. Sou advogado inscrito na OAB/SP, porém tudo que gostaria de fazer é rasgar minha carteira e escrever... Mas tudo bem, quem não é advogado hoje, não é mesmo?! Está ai a primeira vaidade formal que meus pais têm sobre mim que não faço questão.
Tenho um irmão mais velho (programador) que, com muito trabalho e talento, conquistou seu lugar ao sol nesse caótico mundo e foi morar em outro país, longe do julgamento dos velhos.
Para o caçula, restou apenas buscar se adequar a sociedade de uma cidade do interior paulista (~180k habitantes, ~450km da capital) e tentar ganhar algum dinheiro, porém, como fazemos isso quando não há oportunidades e se é um desarticulado?
Aos melhores empregos, não possuo a experiência. Para os demais, sou mais qualificado do que deveria. Sou um monstro em pele de homem, vagando por uma cidade que não parece ter o interesse de recepcionar o diferente.
Veja bem, estimado leitor. Sei o que sou e, acredito que aqui, seja o momento ideal para dizer o bestial ser que lhes redige este biográfico texto. Minha sinceridade é inata, não posso me mostrar por menos, não me sentiria bem comigo mesmo se não soubessem quem realmente é aquele que lhes pede algo.
Há alguns anos - graças a uma maravilhosa ex-namorada psicóloga - contrariado pelos meus pais que sempre viram saúde mental como tabu, decidi buscar ajuda profissional para tratar o vazio existencial que existe/ia dentro de meu peito. Após 6~8 anos de terapia e pelo menos outros 6 de clínica psiquiátrica, me deparei com o diagnóstico de um distúrbio de personalidade, "Transtorno de bipolaridade tipo 2", dizem os médicos. Como gosto de informalidades, prefiro chamar apenas de "meus demônios".
"Meus demônios" por muito tempo foram seres antagônicos dentro de mim, me aterrorizavam madrugadas a dentro, cochichando terríveis segredos em meus ouvidos. "Nunca serás o suficiente", "aqueles que dizem te amar riem de ti", "se tens medo de monstros olhe bem para dentro de si: tu és o monstro de quem teme". Nada legal, não?!
Medicação e terapia me tornaram inteiros, ao menos o suficiente para que tomasse as forças necessárias para meu "salto de fé", me fazendo no começo do ano finalmente deixar o ninho e buscar continuar somente com a força de minhas próprias pernas. A felicidade e a esperança, como bem sabem do ano de 2020, talvez tenham sido mal colocadas.
Surpreendentemente, mesmo com as coisas nesse plano de existência estarem indo em vertiginoso declínio, me encontro de certa forma bem e feliz comigo mesmo. "Meus demônios" agora são seres integrados em minha convivência e, com a força do estudo da filosofia (valeu Platão, estoicos, Nietzsche e demais) e outros literatos, descobri que não deveria mais temer minha patologia. Aprendi que ela sou eu e eu sou ela, essa "bipolaridade" que me faz navegar tão rapidamente entre humores é tão somente parte de quem sou. Se antes terapia e remédios eram minha cura, hoje digo com propriedade que aprendi ser minha própria mirtazapina. Se antes chorar de manhã e sorrir de tarde eram um problema, hoje aprecio o fato de lacrimejar enquanto escuto Avril Lavigne (que mulher!), mais tarde me abraçar ao som de Dream Theater e me odiar durante as madrugadas com Witchcraft ou Void King. Música, filmes e livros: ai está minha eterna companhia.
Pois bem, caríssimos estranhos. Sou o que sou e não lhes nego! Talvez esse seja o maior trunfo do anonimato: a possibilidade de ser quem quiser ser sem o prejuízo de julgamentos. Espero que minha sinceridade não lhes seja ofensiva ao decoro, para os que até aqui chegarem agradeço de coração sua insistência.
Ok, ok, divago! Vamos voltar ao ponto central e motivo desse texto: Não tenho amigos e não tenho emprego. O primeiro se deve ao fato de que sou quem sou: aprendi a duras verdades que em uma cidade deste tamanho existem mais pessoas dispostas a lhe julgar do que entender. Geralmente fogem quando confesso ser bipolar ou quando descobrem que não tenho medo de estar em contato com meus sentimentos. Que coisa não?! Em pensar que o que todos buscavam era verdadeira conexão e honestidade nas relações. Mas tudo bem, quem lhes redige sabe que sua intensidade pode ser exigente demais da disponibilidade dos outros, procuro não julgar os que me negam.
Já para falta de emprego talvez seja uma consequência lógica do primeiro: Em entrevistas de emprego costumo ser brutalmente honesto com meu empregador (afinal não é o que pedem?), ainda há pouco me perguntaram qual o meu salário ideal, quando respondi minha quantia, balançaram a cabeça em sinal negativo e disseram que era incompatível. Quem sabe não tenha sido o mais inteligente de minha parte dizer que "talvez o senhor não devesse fazer perguntas que não lhe agradam a resposta, achei que me perguntavas o que eu queria, não que buscasse adivinhações". Sim, sou este tipo de ser. Novamente perdão se lhes ofendo, reafirmo não ser minha intenção. Convido-lhes para uma reflexão, amado desconhecido: poderia eu, sendo quem sou, responder diferentemente?
Pois bem, venho fazendo o que todo jovem advogado têm feito: ofereço serviços jurídicos a preços módicos (que costumeiramente adapto aos meus clientes como forma de lhes ajudar). Sou criminalista mas somente atendo um seleto tipo de criminosos: àqueles a quem se não oferecido um serviço jurídico, muito provavelmente seriam engolidos pela máquina punitiva do Estado e integrados ainda mais a criminalidade. Não advogo para partidos criminosos e muito menos para criminosos de carreira, minha intenção é ajudar e não livrar-lhes de culpa. Talvez percebam aqui os motivos de porque não me restar dinheiro...
A fim de dedicar ainda mais honestidade à este texto, digo-lhes que tenho sim uma amiga. Uma sócia-comparsa, somos advogados e trabalhamos juntos coletando moedas enquanto tentamos ajudar, um pássaro de asa quebrada por vez.
Novamente divago, perdão. Ao ponto então: bem, como já devem tê-lo percebido, meu negócio é a escrita. Amo escrever, estudo latim por hobby, leio dostoievisk por esporte. Escrevo poemas, poesias, cartas, o que quiser. Dedico aos meus amigos e conhecidos aquilo que posso oferecer: no meu caso é o que coletei em meus 30 anos de existência. Você tem um problema amoroso? Ótimo! Sou teu brother e lhe farei uma carta ou um poema para que sares o coração, ó jovem apaixonado! Lhe incomoda a ansiedade saber que em breve terá que defender seu TCC? Maneiro, meu parceiro! Dedicarei à ti minha próxima carta sobre como deve se lembrar que em outra época, também já se apavoraste com o vestibular mas, ainda assim sobreviveste. Aproveito para lhes endereçar esta pergunta: Como se sentiriam se alguém lhes dedicasse uma carta sobre um problema que você confessou ter? Enfim, acho que pegaram o fio da meada.
Atendendo ao meu cósmico chamado, neste mês de setembro (setembro amarelo, lembro), silenciei meus demônios e passei a publicar alguns de meus textos, cartas e poemas em meu facebook particular. Alguns receberam mais likes que outros, alguns nenhum. Devo dizer que me dói saber que minha escrita às vezes não é apreciada.
Ao verem uma suculenta oportunidade, meus "dêmos" foram atiçados e voltaram a sussurrar. A minha vantagem é que neste momento, estando um bocado mais forte que antes, pensei que talvez não devesse eu ceder a régua que me mede à mão de pessoas que porventura não são verdadeiramente amigas. Improvável mas possível...
Sem dinheiro, sem perspectiva e sem companheiros, resto sozinho vivendo em um apartamento quase de favor com um conhecido. Gostaria de me mudar para São Paulo e conhecer todas aquelas pessoas estimulantes que pertencem àquele maravilhoso lugar, porém, como, se não disponho de condições nem para minha terapia e psiquiatra? Às vezes sinto que minto para as duas quando digo que estou bem, em ordem de fazer diminuir o número de sessões e medicamentos que preciso despender. Mando meu amor para as duas: não fosse por elas e os descontos absurdos que me proporcionam (na terapia, pago menos da metade; na psiquiatra, 1/3), talvez eu não estivesse me sentindo tão radiante. Não é lindo quando profissionais se despem de sua autoridade e tocam outro humano apenas como um humano?
Pois bem, venho até este maravilhoso sitio eletrônico e lhes peço: sejam meus juízes! Convido-lhes ao meu julgamento e de meu trabalho. Serei eu um bom escritor? Existe um ofício por trás destra escrita? Poderia eu tudo abandonar e - quem sabe finalmente - me encontrar alinhado e instrumentalizado pelo senhor universo através da bela e indescritível energia cósmica enquanto escrevo? Acredito que o tempo e os senhores podem me dizer...
Encaminho o link de meu tumblr (tumblr pra escritor br, ok, isso é ainda de se analisar), nele encontrarão algumas de minhas escritas publicadas nesse mês de setembro. Caso a paciência e a boa vontade acompanhem os senhores e senhoras, peço gentilmente que leiam, avaliem e sentenciem neste post o que considerarem pertinente. Caso estejam cansados de minha presença e queiram buscar apenas o poema mais lido, acredito que tenha sido este.
Para aqueles que realmente creem no valor de meu trabalho, também anexo um link para doação em paypal, onde aceito qualquer valor que puderem me ceder. Por ora, fica desabilitado a possibilidade de subscreverem em assinatura as doações, antes avaliarei se há futuro para mim nesse negócio de escrita.
E para você, que precisa de alguém que lhe escreva uma carta, um poema, uma poesia, ou que tenha, sabia ou queira um empregado escritoredatofaz tudo, sabia que recebo pedidos por email ( DillonHagarF ARROBA gmail PONTO com ) ou até mesmo através desse post ou direct.
Há aqueles que me chamarão de tolo por acreditar na bondade de estranhos na internet, devo lhes dizer que não me importo. Somente atendo minha própria natureza assim como acredito que cada um deve atender a própria. Estejam todos abençoados e em paz: aos que me ajudarem, mais, aos que me ignorarem, em igual proporção.
Por fim, agradeço todos que chegaram até aqui. Vocês são seres maravilhosos e o dom de sua curiosidade proporcionou a um desconhecido na internet um momento de felicidade. Um profundo e sincero obrigado! Sintam-se amados até mesmo por quem lhes desconhece!
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2020.09.19 21:37 niallwhore Meu ex namorado estragou tudo e esse foi o maior favor que ele já me fez!

Segura que lá vem o textão com meu relato e uma mensagenzinha motivacional pra quem ta sofrendo por quem não te merece. :}
Esse ano eu conheci um rapaz por quem me apaixonei muito. A gente namorou por 5 meses e tivemos um relacionamento extremamente abusivo: ele me acusava constantemente de traição, não queria passar os finais de semana comigo, me agredia verbalmente, era obcecado com instagram e vivia brigando comigo por coisas fúteis relacionadas a redes sociais, não deixava eu ter amigos, não me avisava com antecedência quando ele ia sair pra visitar a amiga dele, sempre brigava comigo, ficava bravo quando eu comprava coisas pra mim, colocava palavras na minha boca, não confiava em mim nunca, ficou do lado do cara que me abusou psicologica e fisicamente - ao invés de acreditar em mim, ele ficava jogando essa história na minha cara como se eu tivesse culpa, além de tudo ele tinha CIÚMES do cara que me abusou. Enfim, comi o pão que o diabo amassou.
Foram 5 meses levando porrada, até que um dia ele desistiu de mim e terminou comigo. A justificativa dele era que eu ficaria melhor sem ele - ao invés de tentar trabalhar as coisas que estavam ruins, ele decidiu fugir. Ele terminou comigo umas 10 vezes enquanto a gente namorava e depois voltava atrás, mas essa última vez eu fui forte, peguei as palavras dele, aceitei o término e não voltei atrás.
Lidar com esse término tem sido extremamente difícil, porque eu ainda o amo demais, eu sinto falta dele todos os dias. Porém, desde que ele terminou comigo eu me apeguei aos meus amigos que se importam comigo, me reaproximei dessas pessoas e aprendi a ser um bom amigo novamente e estar ali pra eles.
Perder o direito de ter amigos quando eu namorei me fez valorizar muito mais as minhas amizades. É muito ruim e assustador não ter ninguém.
Estou passando por maus bocados, mas eu fico muito feliz de ver que não estou sozinho, sabe? De ter meus amigos e minha mãe me apoiando e me fazendo sentir como uma pessoa boa novamente (porque quando eu namorava ele fazia acusações tão graves sobre mim que saí me sentindo o pior monstro do mundo).
É bom demais desabafar com as pessoas próximas e não ouvir como resposta um “fica tranquilo que vai dar tudo certo” ou não me culparem por estar me sentindo mal e brigarem comigo igual meu ex fazia.
Eu estou podendo jogar videogame de novo, e não fico mais triste de passar os domingos sozinho, porque afinal eu estou solteiro, e ta tudo bem. Além de tudo, todo o espaço vazio que o fim do relacionamento deixou, eu estou usando para desenvolver projetos pessoais e profissionais, inclusive tenho uma amiga que ta me apoiando e me inspirando muito a explorar cada vez mais os meus potenciais.
Meu ex se arrependeu muito de ter terminado comigo e deixou claro várias vezes que faria de tudo pra me recuperar. Ele me disse que mudou, que se voltássemos a namorar tudo seria diferente, etc. Por mais atrativo que isso fosse, porque eu ainda o amava (e ainda o amo), eu fui forte e sempre tentava lembrar de tudo que eu fui forçado a deixar de lado porque ele mandou. Sem contar que o fato de ele ter me culpabilizado e me feito lembrar tantas vezes do abuso que sofri foi algo que eu não consegui perdoar.
Enfim, as semanas foram passando e depois de tantos surtos, indiretas injustas sobre mim que ele ficava postando nas redes sociais, entre outras coisas como o fato de ele ter ido brigar com uma amiga minha porque ela deu unfollow nele no instagram e de ele ter seguido um conhecido meu e dado block nele em sequência, as coisas foram acalmando um pouco. Ele parecia realmente estar mudando, e obvio que isso mexeu com meu coraçãozin de gado.
Embora não tivesse sido o bastante pra eu voltar pra ele, foi algo que me fez não querer afastar e tirar ele da minha vida. Eu deixei uma janelinha aberta pra ele entrar, caso se comportasse. E depois de vários dias que a gente estava se dando bem, eu decidi que iria acompanhar ele em um exame que ele ia fazer e ele falou que queria que eu fosse junto.
Eu fui acompanhá-lo e na hora de ir embora, ele disse que queria voltar pra mim e tal. Então eu conversei com ele durante horas com a maior honestidade sobre tudo que eu tava sentindo, e eu concluí a conversa dizendo a ele que se eu realmente sou o amor da vida dele e se ele realmente estivesse mudando, o tempo eventualmente iria mostrar e a gente iria acabar ficando juntos se fosse para ser. Ele disse que estava disposto a deixar o tempo mostrar que ele estava falando a verdade, então embora a gente não tenha decidido se afastar de vez nem voltar, a possibilidade tava ali no ar caso ele quisesse agarrar.
A conversa foi na quarta-feira. Quinta-feira eu segui no instagram um amigo de longa data com quem eu havia perdido contato. Em um plot twist bizarro, meu ex uma duas horas depois desse follow veio querer tirar satisfação comigo referente a este amigo que eu segui. Sendo que a gente tinha conversado sobre como esse tipo de comportamento dele era nocivo um dia antes.
Mano, eu fiquei puto com ele e me permiti surtar e falar o quanto que ele foi invasivo e o quanto essa situação foi fodida. Eu fiquei tão irritado com o que ele fez que não queria mais falar com ele. Ele me ligou algumas vezes durante a madrugada e mandou inúmeras mensagens implorando pelo perdão. Mas eu precisava ficar sozinho pra processar tudo aquilo.
É, galera, quando a gente ta apaixonado a gente é trouxa o bastante pra se decepcionar com a pessoa mesmo ela ja tendo vacilado com você inúmeras vezes antes.
Beleza né, no dia seguinte descubro que ele seguiu outro amigo meu com quem não tenho mais contato no instagram (e meu ex morria de ciúmes desse menino, porque nós já fomos muito próximos como amigos e tinha algumas fotos com ele no meu instagram). Além de ele ter dado follow no menino, eles trocaram vários likes em fotos. Eu vi aquilo e decidi que iria retirar meu ex das minhas redes sociais, eu chorei muito muito mesmo, mas beleza.
Menos de uma hora depois meu ex começou a me ligar de novo e implorar pra eu conversar com ele, porque ele não iria aguentar me perder e que precisava de mim. Eu primeiro tive que mandar uma foto minha chorando pra ver se ele acordava pra vida de que ele foi longe demais e depois fui bem grosseiro ao pedir para ele me deixar quieto. Ele disse que iria me deixar quieto, mas implorou pra eu não sumir de vez e encerrou com um “te amo, até”.
Depois dessa conversa fui conversar com esse meu amigo que ele seguiu no instagram, e o meu amigo disse que tinha conversado com meu ex pra tirar essa história a limpo (pra ver se ele ainda tava namorando comigo e tals) e meu amigo falou que meu ex disse que já tínhamos terminado e ele não queria mais ter nada a ver comigo. Além disso, meu ex falou sobre mim com deboche pra ele, como se o relacionamento tivesse dado errado e acabado por minha culpa.
Bom, gente, eu tinha tudo pra ficar arrasado com isso tudo, porque uns minutos antes o menino tava implorando por mim enquanto ele dava em cima de alguém que eu conheço e já fez parte da minha vida. Ele me acusou de traição durante 5 meses, e quem se provou um grande mentiroso e um traidor do mais baixo nível foi ele. Ontem eu finalmente entendi que ele tentava constantemente me diminuir e dizer que eu sou péssima pessoa, porque na verdade era ele quem fazia tudo isso e ele só estava projetando essas coisas em mim.
No final das contas, embora eu esteja muito triste, eu estou muito grato por ele ter estragado tudo e ter mostrado quem ele realmente é. Imaginem que merda se eu tivesse acreditado nele e voltado pra ele? Fico imaginando quantos chifres que eu levei durante esse relacionamento e fico muito feliz que todo esse abuso acabou.
Eu não estou contente, mas eu estou extremamente satisfeito que estou aprendendo a viver minha vida sem ele e me recuperando de um monte de merdas que aconteceram na minha vida (até antes mesmo de eu ter conhecido ele) ao lado dos amigos que se importam comigo e da minha família. Estou extremamente carente, mas eu nunca vou me submeter a voltar com alguém que me traiu dessa forma e ter esse conhecimento é tudo de bom, é libertador saber que quem mais apontou pra mim é a pessoa que mais fez as cagadas que falava que eu fazia.
Tudo isso pra eu dizer, meus amigos, que tudo bem sofrer por amor. Sua vida vale muito mais que um relacionamento abusivo ou alguém que te ilude. Se você ta malzão ou malzona porque seu amor te maltrata, te humilha, trai ou mente pra você, aprenda a se amar em primeiro lugar porque você tem potencial de fazer coisas incríveis! Onde há vida, há potencial.
Se você ta se sentindo sozinho se apegue aos seus amigos, se não tem amigos se apegue a sua família. Vai conhecer gente nova, às vezes perder uma pessoa nos faz sentir que estamos perdendo o nosso mundo, mas nós ainda teremos um universo inteiro para explorar.
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2020.07.08 06:42 ridicula_27 Como ser "apaixonada" por três pessoas totalmente diferentes

Ok, isso é muito confuso, eu que vivo isso admito que é confuso, então vou utilizar nomes fictícios pra tentar explicar melhor e que fique um pouco mais fácil de tentar entender. Essa história é enorme aviso logo, então pega um café e se senta.
Eu mudei de escola quando eu comecei o 1° ano do ensino médio, numa escola integral, passo o dia todo lá. Nessa escola eu conheci uma menina que se chamava Isabella, que era muito legal, gentil e as gente combinava em muita coisa como gosto musical, séries e coisa do tipo, ou seja, tínhamos muitas coisas pra poder conversar. A gente era grudada na escola, tipo muito, claro que a gente era aberta pra outras pessoas mas sempre estávamos juntas. E depois de um mês desde que eu conheci a Isabella, eu comecei a gostar dela, mas eu tava muito limitada por ter acabado de sair de um "relacionamento" muito abusivo, me sentia mal por gostar dela, pq esse outro relacionamento começou quando eu vi que eu tava caída de amores por uma amiga (que a propósito não tenho mais nenhum contato com ela por tanto mal que me fez), então eu fiquei muito assustada por estar acontecendo a mesma coisa com a Isabella, medo que ela pudesse me faz mal como a outra fez ou pior. E pra correr dessa situação toda me afastei da Isabella, que veio conversar comigo pra entender o que tava acontecendo. Contei toda a história dessa menina pra Isabella mas também escondi o fato que eu estava gostando dela como algo a mais, com medo de que ela se afastasse de mim. Isabella entendeu bem minhas limitações e continuou do meu lado. Nesse mesmo mês, Isabella começou a ter várias crises de ansiedade por não se adaptar a escola e as pessoas de lá, ela não se sentia bem e faltava muito as aulas e foi nesse tempo que eu conheci um menino que seu nome era Kaio, e a gente era tão inseparável quanto eu e Isabella, ele vivia na minha casa, dormia, almoçava, a gente saía, então viramos melhores amigos. Sempre estávamos juntos, e por mais que Isabella tivesse me confidenciado que sentia certo ciúme do Kaio por eu estar sempre com ele, ela começou a falar com ele, e logo também viraram muito amigos. Um dia, eu fui na casa de Isabella pra fazer um trabalho com ela, e lá eu descobri ela tinha uma gêmea. Sim, uma gêmea, e o nome dela era Isadora, e ela não estudava na minha escola. O problema foi que quando eu estava lá na casa delas, Isabella saiu pra cozinha sem explicação nenhuma e me deixou no quarto com a Isadora, que começou a puxar assunto comigo sendo muito gentil e tão legal quanto a Isabella.
Conversamos muito, conversei mais com Isadora do que com a Isabella, que era a que eu estava com mais vontade de conversar. Isadora me tratou muito bem, e pegou meu celular salvando o número dela nele. Enfim, fui embora da casa delas e comentei com o Kaio sobre a Isabella ser gêmea e ele já sabia, o que me deixou muito desconfortável, não sei dizer o pq. Ele perguntou se ela era bonita quanto a Isabella, e eu disse que sim, as duas tinham uma beleza invejável o que não é mentira e Kaio sabia que eu tinha uma queda pela Isabella e sabia que eu era lésbica. Ele falou que iria fazer amizade com Isadora e eu não liguei tanto. Duas semanas se passaram e eu comecei a conversar muito com a Isadora, tipo mesmo, quase 24hrs por dia, com uma mensagem de manhã às 6 hrs até uma ligação de duração de 2 ou 3 hrs até 3 ou 4 da manhã. Nossa ligação era muito forte, mais tão forte que dizíamos o fatídico "eu te amo", que eu nunca levei pra um lado a mais, pq eu estava ainda muito caída pela Isabella, e Isadora sabia que eu estava gostando da irmã dela. Isadora sempre foi uma âncora pra tudo que eu passava em casa, e eu realmente prezava ela mais do que a mim. Mas tudo mudou quando Kaio veio conversar comigo sobre estar muito muito apaixonado por Isadora. Eu não sabia que eles conversavam do jeito que Isadora e eu conversávamos. Ela ou ele nunca me disseram nada. Quando ele me falou o que sentia por ela eu fiquei muito feliz, mas com um incômodo que eu não sabia explicar o que era. Kaio sempre foi um menino um pouco difícil por assim dizer, pouca gente gostava dele, pq ele era um babaca completo e eu sempre passei pano pra ele, então eu que sempre estava com ele, nós três na vdd, eu, ele e Isabella. Kaio e eu fomos na casa das gêmeas e foi lá que a merda começou. Kaio e Isadora se beijaram na minha frente. Isabella preferiu ficar no quarto dela, eu tentei ir com ela pra não ficar de vela, mas achei melhor não invadir o espaço dela. Então fiquei de vela pro Kaio e Isadora, não se beijavam mas sempre estavam se tocando. E nesse momento eu descobri que eu sentia atração por Isadora do mesmo jeito que Kaio sentia. Foi então que o inferno começou.
Kaio se declarou pra Isadora, que também disse que gostava dele, o que deve ter ativado alguma coisa na cabeça dele que ele começou a agir mais babaca do que ele já era, tratando as pessoas mal, se achando, se mostrando. Eu me sentia muito mal com a situação da Isadora, pq a Isabella mal falava comigo pq faltava muito as aulas, e a Isadora "retribuia" o que sentia por ele, e comecei a tratar ele mal na mesma moeda, porém sendo muito mais agressiva nas palavras. Um dia, eu notei que ela continuava a dizer que me amava e não dizia isso pra ele, pq sim eu ainda falava com ele mesmo odiando tudo que ele fazia. Mas um dia Isadora parou de falar comigo, sem motivos aparentes, e eu não aguentei mais e falei muita coisa com Kaio, culpando ele de muitas coisas inclusive de ter tirado Isadora de mim, foi feia a briga, tanto que a gente quase caiu no soco. Tiveram que me segurar pra que eu não fazer besteira e acabar sendo expulsa da escola. Eu parei de falar com Kaio a partir daquele dia. Isabella viu a "briga", que aliás, a escola toda viu. Ela contou pra Isadora o que aconteceu, que me ligou perguntando o que tinha acontecido o pq eu tinha brigado com ele, e eu só chorei feito um bebê e contei pra ela o que eu sentia por ela. Ela simplesmente não falou nada e desligou a chamada. Depois daquele dia, ela não me mandou mensagem ou me ligou mais. Isabella continuou a falar comigo e com Kaio, nunca ao mesmo tempo.
Umas semanas se passaram e eu conheci uma menina, seu nome era Melissa, que era de outra turma de 1° ano. Começamos a conversar bastante, quando Isabella faltava, eu passava meu almoço com Melissa, que sempre me beijava no rosto ou me abraçava, então as pessoas começaram a pensar que eu e Melissa tínhamos alguma coisa, mas não tínhamos, éramos só muito amigas (que sim, dávamos selinhos pra nos cumprimentar ou despedir, um carinho, não levei nada disse a sério também). Eu não ia muito na casa das gêmeas por ser muito longe e perigoso, mas a casa de Melissa era ainda perigoso mas um pouco mais perto da minha casa, então eu sempre que podia ia na casa de Melissa. Fazíamos vídeos, fotos, a gente conversava, e coisas que amigas fazem. Melissa era apaixonada pelo meu primo (muito babaca por sinal) e eu ainda sentia a falta tremenda de Isadora. Descobri logo depois que Melissa era nada mais e nada menos que a fucking EX do Kaio. Como eu disse, fazíamos vídeos e Melissa sempre fazia questão de gravar eu e ela dando selinho, o que eu nunca vi nenhum problema. Todo mundo sempre via a gente como casal, pq ne, mão dadas, beijos, abraços, carinhos, enfim. Um dia Isabella conheceu Melissa, e o que eu já imaginava, eu tive certeza: Isabella não gostou de Melissa. Não sei o pq até hoje, dizendo Isabella que foi ciúmes, o que eu não sei se acredito, talvez seja uma possibilidade. Melissa gostava de Isabella, na vdd, não tinha nada contra, mas ela realmente não gostava de Isadora, e Isabella chegou a me dizer que Isadora também não gostava nenhum pouco de Melissa. Mas eu não liguei muito pra isso. Eu comecei a ver Melissa de outro modo, o jeito que ela me tratava, cuidava de mim e logo vi que eu tava em um dilema enorne: Eu estava/estou apaixonada por três meninas ao mesmo tempo. (Fogo no rabo? Com certeza)
Os fatos importantes já foram ditos, o desfecho dessa história toda foi:
• Isabella saiu da minha escola e foi estudar na escola que Isadora estudava.
• Kaio e Isadora não chegaram nem a namorar, foram ficantes por somente umas duas semanas e só. Hoje não se falam mais por nada nesse mundo.
• Eu briguei de soco com meu primo que Melissa gostava, pq ele fez mal a ela, e ela meio que parou de gostar dele.
• Pra esquecer o meu primo, Melissa começou a ficar com um menino que eu não gostava e ainda não gosto. Antes que eu falasse a ela o que eu sentia, eles começaram a namorar e Melissa se afastou de mim. Eles namoraram e terminaram perto de fazer um ano, ele foi tóxico e traiu Melissa.
• Kaio mudou bastante, se redimiu com todos, mesmo sendo chato as vezes, ele amadureceu. 6 meses depois da briga toda, eu resolvi conversar com ele, deixar tudo pra trás, até pq a gente era muito infantil por brigar por uma menina. Hoje estamos bem.
• Isadora nunca mais falou comigo no Whatsapp pra nada, enquanto eu ainda conversava relativamente muito com Isabella. Melissa também mal trocou uma mensagem comigo.
• Fui na casa das gêmeas no começo do ano, Isabella preferiu ficar com seus outros amigos, enquanto eu conversei com Isadora sobre tudo que tinha acontecido. Quando eu voltei pra casa, Isadora preferiu continuar não falando mais comigo pelo Whatsapp. Só quando ela quer.
• No final das contas, acabei sem nenhuma das três. Isabella e Isadora não falam muito comigo e eu e Melissa conversamos muito, mas ela ainda me vê só como amiga. Mesmo que as vezes eu demonstre que eu quero algo a mais. Então eu meio que parei com as investidas.
Eu me sinto mal pq penso que poderia ter sido diferente, eu poderia ter pelo menos a amizade das três, se não fosse essa minha confusão toda e carência.
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2020.06.12 01:00 pastoraraquel Eu sou babaca por não querer ajudar meu ex quando ele fez uma live tentando se suicidar?

oi luba lindo cheiroso, a história começa desde dezembro de 2019 e o capítulo mais recente aconteceu ontem, eu tenho certeza que pode dar uma briga muito grande por eu estar expondo tudo aqui, mas isso é uma coisa que tá me deixando péssima e eu não aguento mais me culpar por conta disso. Dia 03/10/2019 o meu ex resolveu que queria romper nosso relacionamento, rompemos foi um término amigável até, não brigamos mas também não continuamos a amizade. Depois desse dia nós brincamos de casal vai e volta diversas vezes e eu ainda me culpo por ter dado liberdade a ele de entrar e sair da minha vida a hora que ele bem entender, depois do primeiro término nós tivemos aproximadamente 4 términos, no total ele terminou comigo 5 vezes. Em umas das vezes que nos falamos depois do término foi por que perguntaram dele na minha caixinha de perguntas e eu respondi, falei que ele ficava saindo e voltando da minha vida, mesmo estando aparentemente com uma garota e ele respondeu meu story basicamente como se quisesse lavar roupa suja (tem print) mas a conversa acabou logo. No começo de Maio eu consegui o número dele e eu era muito dependente emocional dele e por isso me senti obrigada a mandar mensagem, eu me forçava a acreditar que nós iríamos ficar juntos sendo que eu não sentia mais nada por ele além de dependência emocional, eu mandei mensagem pra ele, nós conversamos e resolvemos entrar em call, falamos sobre tudo que aconteceu até que ele começou a forçar entrar em um assunto que na minha cabeça não tinha sentido nenhum. Ele começou com "se eu te contar uma coisa, você acredita?" eu disse que dependia e até fiz uma piada com isso, mas ele nem riu só continuou com o assunto "a minha mãe prefere me apoiar com o meu primo só por que não é uma garota" (ele é trans só que os pais não acreditavam) e eu fiquei em choque, por que na minha visão isso é uma coisa absurda, continuamos nesse assunto e eu tentando ao máximo ajudar ele e então ele solta "eu queria te dizer que, eu terminei com você por causa dele, no dia que eu tava na casa da minha tia e sumi eu fiquei com ele, e tô te falando agora por que não aguento mais mentir pra você, eu te traí" e eu fiquei em choque né, por que na minha cabeça ele poderia ser TUDO menos traidor. Eu só mutei a chamada e respirei fundo, eu não queria chorar na frente dele e depois de um tempo ele tava chorando pedindo desculpas e eu CONSOLANDO ele falando que tava tudo bem, que isso tudo já tinha passado, depois disso a gente fez call mais uns dias e eu acabei confundido dependência emocional com amor, eu falei pra ele que gostava dele e ele disse que ia ser sincero comigo. Ele basicamente disse "eu amo o meu primo, e eu espero mesmo que a gente de certo, ele me entende e somos lindo incestuosos juntos 😍" não foi bem desse jeito mas foi quase isso, eu fiquei triste pra caralho né, pq ser corna já é foda ver seu ex se dando bem com a pessoa que ele te traiu enquanto vc tá na merda é mais foda ainda. Depois disso eu agradeci por ele ter terminado comigo e dei block, um booom tempo depois eu percebi que a única coisa que eu sentia pelo meu ex era obrigação de ajudar ele por eu ter feito isso por muito tempo e dependência emocional, depois de uns dias tentando me entender e ter certeza do que eu queria eu resolvi tentar de novo com um menino que eu estava sentindo algo faz um dia, eu tava reprimindo esse sentimento por achar que eu TINHA que continuar gostando do meu ex por que lá na frente a gente com certeza iria dar certo, mas depois de sofrer esse choque de realidade eu resolvi seguir em frente e tentar com esse garoto (meu atual namorado agora e caralho a melhor coisa que eu fiz foi isso). Ontem 10/06/2020 muita gente me mandou mensagem falando que meu ex estava fazendo uma live cortando o pescoço e chorando demais, tipo ele tava fazendo um suicídio ao vivo, eu entrei no Instagram pra tentar fazer alguma coisa e eu acabei vendo um texto que ele tinha me mandado a umas horas atrás e eu me senti extremamente culpada, por que se eu tivesse lido esse texto (tem print) eu poderia ter impedido ele de fazer uma merda dessas, eu falei com a namorada dele mandei mensagem e fiz o meu MÁXIMO pra tentar ajudar em alguma coisa pra tirar essa culpa de cima de mim, mas mesmo assim muitos dos seguidores dele ficaram me mandando mensagem no estilo de "a culpa foi sua" por que eles juraram que ouviram ele falar de mim na live (a qual eu não vi, só fiquei sabendo pelas pessoas que falaram pra mim). Eu surtei e postei algo como "tudo que eu tinha que fazer a respeito disso, eu já fiz, parem de me relacionar a ele, parem de me mandar mensagem falando sobre ele, eu nem sequer sou amiga dele, obrigada", depois desse post muita gente me chamou de egoísta e disse que eu não tava me importando com uma vida, mas acontece que não foi a primeira vez que ele tentou suicídio e me mandou ou postou alguma coisa diretamente pra mim e fez eu me sentir culpada, eu tava esgotada mas NINGUÉM conseguia enxergar isso, eu aguentei aí meu máximo só que agora eu realmente não sei se eu consigo agir como boa samaritana e ajudar ele como eu sempre faço, pra no final ele só pisar em mim como se eu não fosse um nada. Aliás ele me mandou mensagem quando soube do meu namoro, falando que o negócio com o primo dele era tudo mentira e que ele só queria uma desculpa pra se afastar de mim, o que eu achei bem sem nexo pq ele já se afastou de mim várias vezes e não é como se dessa vez ele precisasse de uma desculpa pra ir embora, no texto ele também fala que nunca me traiu e que foi tudo mentira, eu realmente não consigo entender ele e tô parando de agir como um ser humano e me importar ao extremo com isso, me culpar e me rebaixar por uma culpa que ele joga em mim. Eu fui babaca por jogar tudo pro alto e simplesmente parar de me importar com tudo isso?
http://imgur.com/gallery/JzbEALW
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2020.04.10 00:44 CabacinhoBreaker Conto: Carta Para Zeca

Quanto tempo leva para uma reflexão tomar forma dentro do circuito do pensamento emotivo? Emoção é a reação do que afeta direta ou indiretamente o nosso campo de sensores que são vastos, digo isso para todos aqueles que creem no invisível e que salta aos olhos como uma silhueta na escuridão. Está tão perto e tão latente mas, qual a medida para entender tudo isso? A razão é a balança dos aflitos que velejam numa nau à pique.
Zeca observava o mundo de longe certo de que estava antes daquela vírgula da existência, essa que faz refletir, protegido no receptáculo de sua antena parabólica ficava estático ele mesmo, assistia a novela de Rebeca sua vizinha, nascida de dias e com uma mãe desastrada. Batia de lá e de cá seu corpo mas nunca deixando a recém nascida amassar nas portas, embora parecesse que o pai quisesse. Zeca já tinha testemunhado o pai, grande e corpulento, de olhos fundos e nariz perfurante, olhando para a mãe, passava para Rebeca, e parecendo um surto de arrependimento da existência da menina, fechava a porta na cara da mãe. Ela não prestava, e parecia um vegetal, ele era quem dava energia para uma casa toda com seus dedos que pegavam o que queria na sua geladeira fedida; seus pés descalços que descarregavam toda uma tensão da casa, o que Zeca achava engraçado, se pudesse passar a navalha nesse calcanhar invisível da mágoa ele desjuntaria o pé inteiro.
De conversa com ela uma vez Zeca insistiu no motivo de ela estar onde estava, a mãe olhava a menina com uns olhinhos de jabuticaba que dava brilho no canto, daí olhava para o chão e virava o olho para dentro buscando uma saída do que ele não podia evitar, daí lançava a mão parecendo que ia descolar do corpo, mole de lado, dizendo que quem sustentava a casa era ele e Rebeca era uma inspiração de vida! Desse jeito mesmo que saía, ela botava tanta convicção que as palavras vibravam quando saiam de sua boca, a última até parecia uma moeda que estava debaixo da língua e escapou sem querer. Olhei nos olhos dela, rasos.
Agora Zeca insiste em tomar uma dose de verdade todo dia, recolher todas essas moedas que caem dos olhos e das bocas de seus amigos, juntando tudo um dia talvez ele compre a tão sonhada liberdade que ele persegue de dentro de seu barquinho.
“Mandai a faísca de um raio pra me iluminar
Segura pedra na pedreira não deixa rolar
Xangô, Kaô meu pai
Seus filhos bambeiam mas não caem”
Zeca
Carta Para Zeca
Olá meu querido amigo, como você está? Espero que bem.
Eu estava mexendo nuns papéis antigos e reli uma crônica que você me fez 3 anos atrás, lembrei tanto de você esses tempos que resolvi escrever.
Hoje é dia 24 de dezembro e está um calor danado aqui em São Bernardo, me mudei para o Silvina depois de uns dois meses que a Rebeca nasceu e foi uma das melhores coisas que fiz; a casa é bem maior, porém fica bem perto do ponto de ônibus lá na ponta do morro.
Por falar em Rebeca ela não para mais. Anda de um lado pro outro Zeca como se fosse a rainha da casa, pega as panelas e bate tudo no chão. Devaldo nem liga mais depois de comprar a quinta, e eu não faço questão também, ela precisa de brinquedos e eu me viro como posso sabe?
Falando nele, sua crônica foi importantíssima para mim Zeca, você sempre me estimulou a escrever e só fiz isso agora, depois de anos, porque me sinto muito mais segura e motivada. Ainda lembro de cada palavra sua. É claro que é meio desconcertante também, você escreve tão bem e eu não sabia nem articular o que se passava dentro de mim, agora vou te falar, da melhor forma que eu encontrar.
Devaldo parecia que tinha desistido de tudo, aquele jeito turrão e mandão dele de ser passou depois do primeiro ano da nossa filha, eu agradeci muito à Deus, mas ainda faltava alguma coisa sabe? Ele parecia fantasma dentro de casa Zeca, a gente não tinha brigado nem nada e ele me procurava bem pouco para fazer amor, dizia que a rotina do serviço estava acabando com ele mas eu não precisava me preocupar com nada, que focasse na pequena pra ela não ficar que nem as “meninas do pé do morro”. Elas gostam muito de transar Zeca, e com qualquer um que passe no pé do morro, qualquer um; eu já vi elas no mato e não vou nem dizer como porque quero esquecer.
Depois de ver aquilo dei razão pro meu marido, e mesmo ele me tratando um pouco melhor ainda não era o meu ideal, ele foi meu primeiro homem e eu esperava tanto dele, mas seus problemas sempre futucavam nosso lazer; fim de semana tinha um extra no serviço que era imperdível, mais seis horas longe de sua família, o que virou rotina depois de um tempo fazendo isso; pegou confiança e virou o ponta firme na firma que não faltava em nada.
Quanta decpção. Quando Rebeca fez um ano que desastrou tudo, ainda bem que tenho meus amigos lá do morro pra me dar assistência e fumar um né? Quem tem filho fuma também, não me julgue.
Eu acostumei não ter mais a presença dele em casa aos poucos, Rebeca sempre foi bem quieta e não me tomava muito tempo para o cuidado, mas isso porque amo essa menina e nunca me deixou nervosa. O fato é que comecei a me sentir bem sozinha, e carente sabe? Sem nenhum contato. Eu procurava Devaldo e ele nem aí pra mim, até que um dia aconteceu um troço inesperado Zeca, eu tinha mensagens de um crush do ônibus que queria porque queria me conhecer.
Não me julgue por falar o que vou falar. O nome dele era Jonas e disse que queria me conhecer, eu falei que pessoalmente não, mas a conversa foi rolando, eu disse da minha filha e ele me mostrou a dele, uma mulher já de dezesseis anos toda formada, o cara era “velho” e eu tinha vinte. Claro, não mencionei Devaldo pra ele.
Ele me dava toda a assistência que eu estava querendo, perguntava como foi meu dia, me ouvia, e a gente conversava sobre tudo Zeca, só achei uma coisa estranha. A primeira vez que ele me ligou achei super esquisito, sabe aqueles homens que tem a voz bem fina? Era a dele, mas chegava a parecer uma garota em certos momentos. Achei estranho mas foi só impressão.
Jonas não me faltava em nada, ele me fazia sentir como se fosse uma menininha de novo, ás vezes eu até esquecia que tinha um marido em casa Zeca, cheguei até a olhar pro Devaldo pensando nele, nas fotos que me mandava… sinto vergonha disso mas é a verdade. Mas também nunca fui tão fundo assim com ele, por mais que fosse gostoso eu não conhecia ele de fato e não ficava mandando fotos nem nada, mas me deixava num fogo que eu virava um rio.
Depois de uns quatro meses na conversa eu criei coragem e fui atrás dele, chamei para marcar um encontro e liguei né, ele esperava tanto por esse momento que o telefone quase não deu o primeiro toque. “Eu preciso te contar uma coisa antes da gente se ver”. O que era agora já que ele queria tanto? Esperei os trinta segundos mais longos da minha vida até que ele despejou tudo sem ensaio. Eu sou mulher.
Foram só três palavras, mas me deram uma rasteira literal, eu que estava em pé caí sentada no chão da cozinha Zeca, eu não podia acreditar. Fiz muitas perguntas e ela me respondeu todas com muita calma, apesar da minha revolta. Me disse que realmente pegava ônibus comigo e me achou linda, e depois de uma visita no face chamou um amigo dela, o Jonas. Ele fornecia tudo em tempo real, mas nos telefonemas e áudios era ela mesma.
Falei várias vezes pra ela que não gosto da mesma coisa que tenho no meio das pernas, não vejo graça Zeca. Ela ficou super triste, ainda mais quando teve que me passar o telefone do Jonas de verdade, queria pelo menos conhecer o cara que me apaixonei. Já faz um tempo que isso aconteceu e mesmo assim ainda lembro vez ou outra, me enganaram de uma esdruxula e me lembro exatamente como me senti.
Me lembrei de você e tudo que me dizia, tentei descrever o que sentia. Você já passou por isso; você passa uma noite inteira na rua, sozinho e com frio, e encontra um cantinho pra encostar e cochila por lá mesmo até o Sol começar despontar e tocar sua pele, te aquecendo aos poucos até brilhar bem forte e você voltar pra casa. Eu voltei para casa Zeca.
Deixei tudo isso de lado e pesquisei sobre aquilo que você me falava sempre, que a vida é efêmera e é importante viver bem; hoje entendo o que você me dizia. Fui nessa semana também no lugar que recebem os espíritos que você ia, me pediram para ter juízo olha só! Eu não discordei, até gostei da sensação que me trouxe.
Eu comecei a prestar mais atenção em casa depois do que aconteceu, e tive mais coragem para me abrir e falar com Devaldo, ás vezes eu só precisava estimular ele um pouco, e com o tempo ele foi me olhando de outra forma, viu que podia cofiar em mim como parceira; o stress do trabalho até diminuiu e o tempo dele lá também, começamos uma fase tão bonita Zeca. O espaço que ele preenchia com seus dedos agora tinha um toque mais sutil, e mesmo que o hábito ruim de olhar o telefone do outro tinha ido embora fazia um tempo me bateu uma curiosidade. Descobri que ele me traiu duas vezes com a mesma pessoa, ele transou com outra.
Não falamos disso nunca, ele não sabe que sei e eu não guardo rancor, ele se arrependeu nas mensagens com a garota e depois que as coisas melhoraram entre a gente me sinto muito mais feliz. Não vou dizer que o amo, mas me sinto apaixonada por ele cada dia mais, estamos nos descobrindo juntos Zeca. Não vou tomar mais o seu tempo, só queria dizer que o canto que você morava está muito bem iluminado agora.
Ontem o Pepeu me chamou pra fumar lá no escadão e disse que tinha uma surpresa, e que surpresa Zeca! Enquanto a gente fumava olhando pro Montanhão ele começou a iluminar todinho, foi ascendendo de baixo para cima, nunca vi ele tão bonito. O morro agora tem luz na rua.
Não me aguentei, olhei pra cima e comecei chorar quando vi que a Lua se encaixava bem na ponta do morro, parecia até que tinha sentado no campinho de terra; a árvore de natal mais bonita que montaram pra gente meu bem. Pepeu chorou comigo, dava pra ver os bracinhos balançando lá da ponta do morro de alegria.
Você faz falta Zeca, tiraram sua vida tão curta cara, mas como você mesmo diz, a vida é efêmera. Vou guardar sempre no meu coração a lembrança de cada momento e prometo abrir a mente de alguém com o que você me ensinou, e me ensina ainda. Vou queimar essa carta no pé do morro, quem sabe um dia quando você passar por lá veja todas essas palavras na poeira.
Te amo meu amigo.
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2020.03.02 18:14 Mrbingshlong Bjs

Me lembro, ano passado, parei num pipoqueiro pra pedir uma provinha. (Geralmente levo pouco dinheiro e quando saio da faculdade fico com fome e sem dindin Pra comprar comida kkkk)
Eu não sei muito bem como, mas começamos a conversar. Ele me perguntou o que estudo (psicologia) então ele contou como ele acha que é balela e desnecessário etc. continuamos no papo e, embora no início achava que ele só falava besteira, quanto mais eu penso no papo, mais eu acho que ele tinha razão. Uma coisa que ele disse ficou preso comigo até hoje. Não me lembro o contexto, mas foi algo do tipo: “o ser humano e ganancioso e vive procurando a fruta proibida no mundo externo, sendo que sempre estava dentro de si, no interior”.
E essa é a mais pura verdade. Abusei muito desse sub. Vivo fazendo perguntas aqui e me desabafando. E de fato amo muito, eh bom porque você acaba conversando e socializado, vc acaba fazendo um monte de amizades, mesmo que alguns sejam efêmeras.
Mas parece que eu vivo em busca de sentido. De validação, confirmação, aprovação de que aquilo que quero dizer e aquilo que quero fazer, seja a escolha certa. Que alguém por aí, mesmo sendo um joao minguem, concorda comigo. Costumo desconfiar da minha voz interior. Eh como se a criança interior aguardasse alguma ordem ou pedido para agir. Percebi como continuo dependendo de afirmações para progredir, em vez de, bom... simplesmente ir e tentar fazer.
A verdade é que não temos como saber como as coisas se desenrolarão. Não tenho como prever o que acontecerá até o final do ano de 2020.
A única coisa que sei de verdade é que não posso continuar reclamando e me desabafando aqui sendo que nunca me movo em direção à progressão. Só vivo falando que vou, mas raramente vou. E quando vou, já quero ir embora. (Aliás.. acho que todas essas férias fiquei o dia inteiro em casa, deitada na cama e assistindo filmes. Até que foi muito bom.)
Mas como vai ser se eu continuar assim? Sempre esperando algo. Alguém. Nunca ser a primeira a simplesmente se mover. Preferir me manter enquadrada naquilo que acredito que sou, por medo de sobressair. Por medo de falhar ou por medo de evoluir? Por medo da incerteza. Por medo de quebrar a cara. Por medo de passar vergonha. Por medo de ser vista. Por medo de existir. Ser o centro da minha atenção. Não no sentido pejorativo. Mas começar a simplesmente ser, pra mim. Por mim.
Quantas listas que já fiz, de coisas que digo que quero fazer mas nunca faço. Por que? Vivo repetindo o mesmo padrão. Continuo viciada na internet. Mas não boto o pau na mesma e começo a ser. E é muito mais fácil reclamar, mas a verdade é que sempre há uma escolha; livre arbítrio e algo que todos nós temos e renunciamos ou então fingimos que não existe mas sou que eu sempre escolho ficar presa. Estagnada. Não e minha mãe. Não é a faculdade. Não é o prédio. Não é o apartamento. Não e a rua. Eu.
E como o pequeno príncipe disse: “o adulto nunca está feliz aonde está”. E não é nem o fato de não ser grata por aquilo que tenho, e o fato de não querer assumir responsabilidade por mim mesma.
Essa que e a doideira. Geração canguru. O povo que não quer ser dono de si. Que reclama da solidão mas não sai de casa nem pra comprar papel higiênico. Que tá tão preocupada em salvar o mundo mas é incapaz de arrumar o próprio quarto - essa sou eu.
E entre muitos, tendo a perambular pelo mundo de meia boca, esperando a morte seguramente. Não arrisco então não sofro, mas também não desfruto.
Mas tá na hora de começar. Só ir. Quem disse que precisa ser perfeito? Fazer tudo aquilo que gosto de fazer e rejeitar com graça tudo aquilo que desgosto.
Afinal temos a escolha, não é? Tudo de ruim que acontece na vida pode ser um fardo ou uma benção. Como disse Albert einstein (se é que realmente disse: “em meio de dificuldade há oportunidade.” Uma oportunidade de recomeçar. Uma oportunidade de mudar de direção. Afinal só temos uma vida. De fato.. só uma vida. Uma única. E viver bem não e fazer sexo adoidado, ir em festas todo o final de semana e se desgastar até você um dia descobrir que ta com câncer de fígado kkk não... Viver bem e finalmente assumir a si mesmo, e é fazer tudo aquilo que te traz prazer e te faz desenvolver, mesmo que não seja perfeito de hoje para amanhã, e é algo que tenho prorrogado por décadas.
Sinto que esse é o mal da nossa geração: queremos tudo pronto pra ontem. Quero acordar amanhã e ter a vida perfeita. Mas as coisas mais belas e duradouros precisam de tempo pra florescer. Exigem trabalho. E paciência é uma virtude que certamente ainda não aprendi a ter, mas é algo que gostaria de ter. Sem desafios não ha lições e sem lições não amadurecemos.
Pra concluir, Uma coisa é certa: não posso continuar minha vida toda me escondendo, principalmente de mim mesmo. Não posso continuar temer sentir dor, vergonha, feiúra, exclusão, seja o que for. As coisas não irão progredir enquanto eu só fico sentada no sofá assistindo vídeos no YouTube do tipo “como parar de procrastinar”. Não posso continuar dizendo que quero mudar, e não mudar. Só da pra mudar, fazendo.
Nao posso continuar minha vida temer ser rejeitada e portanto, me rejeitar primeiro. Ou temer de ser abandonada, e portanto, me abandonar primeiro. Preciso começar a não me abandonar e rejeitar, de verdade, e não de boca pra fora.
Dor e prazer - são dois lados da mesma moeda. Não podemos ter um e excluir ou outro, pois então o prazer não passa de uma anestesia. Um band aid. Uma pretenção.
Mas dor não e sinônimo de sofrer. Dor e inevitável. Sofrer é uma escolha.
Só porque sentimos a dor da perda, não quer dizer que não valeu a pena que uma vez já foi nosso. Porque pra mim, valeu sim a pena. Minha irmã morreu há quase 5 anos atrás e eu só sinto gratidão por ter conhecido ela. Valeu a pena. Conheci um cara (eh Chico to falando de vc) aqui msm e embora a gente não se fala mais, valeu a pena ter conhecido ele. Sempre vale a pena. (E eu talvez passei muita vergonha me expondo pra ele mas faria tudo de novo.)
Num sei aonde quero chegar com esse texto, e to achando que ninguém vai ler msm, mas preciso de fato começar. E abuso desse sub de novo pra concluir. Acho q vai ser o ultimo por agora. Eu preciso parar de procurar validação externa. Confiar na minha voz interior porque agora sei que eu sou confiável. Sempre terei a melhor intenção comigo mesma (se isso faz algum sentido). Mas sla.. no final do dia parece que temer viver é temer sentir dor e temer sentir dor é temer morrer. Mas a morte é o destino. Não tem como pressionar um botão que congele o tempo.
Assim como as árvores não lamentam as folhas caídas e a maçã não teme apodrecer, só vai. Permitir que as coisas se desdobram do jeito que desdobram. Se entregar por completo. Porque viver a vida escondida não passa de suicídio passivo.
Eh aquele ditado não eh, amor fati.
Ps; lamento pelos erros gramaticais n
Bjs
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2020.01.20 17:31 Gab8786 A PIOR SOGRA DO MUNDO. Me livrei, mas doeu.

Considerações:
Primeiro: eu juro que isso não é fanfic. Eu vivi isso, acredite ou não.
Segundo: primeiro post que envio para o turma-feira, ah que emoção. Recentemente seus turma-feira's têm sido meu melhor passatempo, gratidão imensa por fazer meus dias melhores.
Terceiro: Minha vida amorosa é uma tragédia (não a nível de Shakespeare, mas é quase), te contarei apenas um dos casos. Se você gostar, quem sabe eu te conte mais outros...
Provavelmente você terá que fazer um vídeo inteiro sobre isso. Vamos lá.
(Os números e nomes aqui estão trocados. Não mostre isso no vídeo, ok editor?)
Aconteceu em 2014.
Conheci Micaela, a namorada com quem eu casaria se existissem condições. A gente combinava em tudo. Em todas as conversas tínhamos uma harmonia ímpar, gostávamos de estar juntos em todos os momentos, não tínhamos divergência de pensamentos políticos ideológicos (eu nem ligava pra isso na época), ela gostava de muitas coisas que eu gostava, se esforçava pra gostar de outras e eu fazia assim com ela também. Era muito bom estar junto dela.
Eu andava 3 km a pé pra ver ela e valia muito a pena(não existia Uber na minha cidade ainda, mas mesmo que existisse eu iria a pé pq eu n tinha grana, e ela gostava de mim mesmo assim, o que prova a veracidade dos sentimentos dela).
Ela frequentava minha casa algumas vezes, meus pais amaram ela, fez amizade com meus irmãos mais novos, ela jogava videogame comigo. Era um sonho.
Só havia um problema. Dona Gertrudes, a mãe dela. Ah, Dona GERTRUDES... Como posso te explicar, Luba... Imagina uma mulher religiosa ferrenha com uma moral do século 18. Eu não sabia disso até então. Pelo visto nem Micaela sabia que a mãe poderia chegar a um nível tão ABSURDO no final da história. Micaela apenas dizia que não podíamos subir pro quarto dela porque a casa estava bagunçada devido a uma reforma, e a mãe queria me conhecer primeiro (com o tempo), ou que ao menos eu assumisse namoro antes que eu pudesse frequentar lá em cima. Tudo bem? Tudo bem. Não sou acostumado com cerimônias, mas tudo bem.
Isso fazia com que tivéssemos que transar dentro do banheiro do prédio dela(Sim, nos primeiros dias já estávamos apaixonados a esse nível). Tinha uma câmera em frente à porta, mas a gente ligava o foda-se e entrava mesmo assim.
Aí você se pergunta: porque não na minha casa, no meu quarto? Bom, eu dividia meu quarto com meus irmãos. Nosso AP. Era pequeno, apenas 2 quartos. Seria constrangedor, muito embora, algumas vezes considerarmos essa possibilidade mantendo meus irmãos fora, mas era difícil.
Alem disso, dona GERTRUDES não deixava Micaela vir pra casa de um amigo sem mais nem menos. Ela não deixava eu entrar na casa dela, porque ela deixaria a filha entrar na casa dos outros?(Lógica dela). Então as vezes, quase nunca, ela ia escondido pra minha casa. Portanto, o banheiro, quase sempre, era nossa única opção (lembrando, eu não tinha grana pra Uber, imagina pra motel).
Chegou o momento que a gente se cansou disso (3 semanas depois) e resolvemos assumir logo esse namoro. Dona GERTRUDES quis marcar um jantar para perguntar quais as minhas intenções com a filha dela. SIM, não era o pai que queria perguntar isso, afinal ela era....... MÃE SOLTEIRA. SIIIIIIIIM, LUBA, MÃE SOLTEIRAAAAAAAAAA. Pegou raiva né? Saiba que não é nada perto do que vc vai sentir.
Então o dia do jantar chegou. A mãe veio com a famigerada pergunta e eu armei um discurso todo fofinho... "Eu quero amar e respeitar sua filha, quero conhecê-la a fundo, saber dos seus desejos e sonhos de vida, quero aprender com ela e ensinar tbm" pra que que eu disse "quero aprender com ela"? Ela já deu sua primeira patada: "Espera um pouco... Aprender com ela? Minha filha não é professora de ninguém não!"
Eu comecei a dar risada achando que era zueira, mas eu via cada vez mais que não. Que ela estava falando sério mesmo.
"Que absurdo, num relacionamento ninguém ensina nada a ninguém não, tem que estar todo mundo maduro o suficiente sabendo das coisas da vida, e o homem é quem toma a frente e quem sabe mais das coisas, porque é o chefe da família! Se você assume essa postura você é um bunda mole, e eu não quero minha filha casada com um bunda mole. CASADA, sim porque você sabe que um namoro é um preparativo para um casamento. ALIÁS, sexo, nananinanão. Só depois do casamento. Entendeu, senhor Matheus? Aliás... Quantos anos você tem mesmo?"
"19..."
"Pois é. Você que é mais jovem não deveria casar com uma pessoa 6 anos mais velha que você. (Sim, ela tinha 25 anos) Ela tem que se casar com um cara mais velho, com condições de formar uma família. Você trabalha? Você tem uma casa própria? Não. Então eu não acho que você deveria namorar minha filha, mas eu não vou estragar isso no dia da inauguração desse namoro né? Eu abençoo vocês mas com a condição de que você deve assumir essa responsabilidade."
E eu: "Tudo bem."
Sim, Luba eu deveria ter terminado alí, mas eu gostava tanto de Micaela, e eu achava aquilo ridículo demais para ser verdade, além disso eu não sou um cara de se jogar fora, eu não ia deixar que ela me considerasse um cara qualquer, eu fazia faculdade de Medicina na Federal, tinha educação de moral elevada de berço, iria provar meu valor, mas foi muita falta de amor próprio da minha parte. "Deve ser só pressão" eu pensava... Aham... Vai achando!
Os meses foram passando, e eu ainda não podia entrar no convívio da casa de Micaela, e ela ficava cada vez mais ausente, e me dizia por whatsapp que a mãe estava vigiando ela, não deixou mais ela sair de casa por um tempo, até que, quando chegou no sétimo mês, ela me revelou que Dona GERTRUDES não quer mais que ela se encontrasse comigo. E eu "WTF???"
Eu comecei a xingar a mãe dela dizendo ainda "como ela pode controlar tanto assim a filha de VINTE E CINCO ANOS? Micaela, você tem que tomar a independência para sua vida! Não deixe sua mãe te controlar assim! É muita imbecilidade da parte dela."
"Matheus eu ainda não me formei, não tenho condições de construir uma vida sozinha, e apesar de tudo ela é minha mãe, e eu não quero viver brigada com ela!"
"E eu, tudo bem... Como que a gente faz então? Se encontra escondido?"
"Parece ser a única opção né."
Assim fizemos por algumas vezes até o dia que eu fui para o prédio dela escondido. Ela estava fazendo um projeto da faculdade sozinha. Dona GERTRRRRRUUUDES viu pela câmera do prédio e desceu.......................
Eu nunca fui tão humilhado na minha vida.
"O QUE VOCE ESTA FAZENDO AQUI? Eu já não falei pra você não ver mais a minha filha? Você é um imprestável, você não é suficiente para minha filha, você é um qualquer e minha filha merece muito mais. Você é jovem e vai viver muita coisa ainda, vai conhecer muita gente e se relacionar. E se um dia trair minha filha? O que eu faço? Não importa a idade dela ela sempre será minha filha e se você for a causa do sofrimento dela eu n sei o que eu faço com você. Eu sei porque eu vivi isso. Ok? Além disso, você acha que eu não vi vocês dois pela câmera quando entravam no banheiro? Eu vi você falando mal de mim pelo whatsapp da minha filha, alem das fotos dela pelada! Eu fiquei tão chocada com isso que eu não permito mais vocês dois juntos, vagabundo. Saia daqui, vai para sua casa, eu já falei com o condomínio para não permitir mais sua entrada aqui. Não fale mais com minha filha. Está avisado.".
Enquanto isso Micaela morria de chorar pedindo para a mãe não fazer isso e ela estava irredutível. Não me permitiu falar nada. As duas subiram. E eu andei 3km de volta pra minha casa com o coração destruído. Achando que tudo tinha terminado.
Cinco dias depois me liga Micaela dizendo que disse a mãe que ia na casa da amiga Jéssica que morava perto de mim algumas quadras, mas estava vindo para minha casa para conversar comigo, dizendo que não iria desistir de mim.
Conversamos, e daqui a pouco DONA GERTRUDES liga para Micaela dizendo que estava na rua de Jéssica para buscar ela, porque ela havia esquecido de resolver algumas contas da casa no banco e ela queria a ajuda da filha. Depois ela deixava de novo lá na casa da amiga.
Micaela entrou em desespero. Saiu correndo daqui. Chegando no portão da minha casa estava lá a Dona GERTRUDEEEEEEEEES. Ela tinha ativado GPS no celular da filha e sabia de tudo.
Do carro ela falou aos berros e buzinas que chamaria a polícia e me acusar de sequestro se a filha não saísse e entrasse no carro. Eu tive que chamar meu pai que estava trabalhando porque eu não estava aguentando essa situação. Ele chegou e viu a situação insustentável. Falou com Micaela e levou até o portão. Meu pai não falou nada. Chegando em casa ele falou comigo o quão sortudo eu era por eu ter me livrado da convivência com esse ser desprezível como sogra.
Nunca mais vi Micaela.
Fiquei numa depressão profunda durante meses. Pensando no que me aconteceu.
Meu amor foi arrancado de mim sem dó nem piedade. Como se eu a agarrasse e tivessem cortado meus braços para que eu a soltasse.
Depois disso tive alguns namoros que também não passaram dos 7 meses. Hoje estou solteiro. Sem ninguém para eu dizer "te amo". Ao menos não de uma maneira tão sincera quanto eu dizia a Micaela.
Fim.
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2019.11.30 04:18 IWishIWasMoreLikeMe Galera, eu só quero falar um pouco sobre minha vida e sobre a situação ruim que passei hoje com meu pai

TLDR: Levantei o tom com meu pai que me tratou mal durante minha vida, acabei sendo enforcado, quero ajudá-lo a tratar essas emoções ruins que ele sente pois ele é uma boa pessoa, tenho medo que faça algo ruim a si mesmo antes que de fato se dê a chance que merece, meu pescoço está doendo um tanto e devo ir para o hospital(minha namorada me convenceu a ir). Vou tentar ajudá-lo, se não for possível, ajudarei minha mãe com a separação. Espero muito que as coisas deem certo.
Primeiramente, me desculpem caso esse tipo de post não devesse estar aqui, eu pretendia escrever em um local como relationship_advice mas em inglês talvez as coisas ficassem mais incompreesíveis do que já estão.
Procuro apenas visões sobre a situação em que me encontro, já ajudei bastante gente pela internet, é minha primeira vez procurando ajuda e me "expondo". Bem não quero escrever um mega texto, conforme os possíveis comentários eu posso ir oferecendo mais e melhores detalhes, mas aqui vai um tantinho sobre mim: Tenho 20+ anos, estudo de maneira autoditada sobre ciência da computação, desde pequeno gosto principalmente de computadores, linguagem e física, atualmente faço freelances em cybersecurity(consultoria, bug bounties e reversing de malware) e tento fazer o possível pra estudar um pouquinho a cada dia.
Consigo dinheiro para pagar minha internet, presentes pra minha namorada e as vezes sobra um tantinho também para investir, mas me sinto mais destruído a cada dia... Minha namorada que também é minha única amizade simplesmente tem sido tudo que me dá forças nos últimos 3 anos. Devo a ela grande parte do progresso que tenho tido em minha vida, caso ela veja isso, eu te amo muito meu anjo, muito obrigado.
Bem, meu pai tem 60+ anos, é aposentado pelo exército, e hoje trabalha como vigilante, madrugada sim, madrugada não. Tem duas filhas com outra mulher que o expulsou de casa(recentemente descobri que a mãe dele também o expulsou), porém ele ainda o envia dinheiro pra eles e paga o aluguel, até ano passado ele no papel ainda era casado com essa outra mulher, depois de muita luta minha mãe conseguiu a "União Estável"(A outra mulher ainda se achou no direito de tirar metade do pouco que ele tem...). Ele ajuda com as contas de luz, água e leva minha mãe no carro quando é preciso, as vezes resiste um pouco, mas nunca o vi negar isso.
Bem talvez já esteja óbvio, eu ainda moro com meus pais, e sinto que as coisas são mais difíceis do que o necessário há muito tempo, infelizmente grande parte da minha memória parece ter sido apagada, acredito que por conta da depressão que tive a partir de meus 13 anos e não ter tido amizades pra reforçar as lembranças... mas tenho lembranças de minha mãe chorando, deles brigando diariamente, meu pai insultando tanto a mim quanto ela, e nós sempre ficando calados diante dessas atitudes. Nós dois sempre vivemos com medo de errar, eu sempre vivi com medo de contrariá-lo e até de brincar com ele, mas eu tive o privilégio de conseguir viver mais tempo olhando pra uma tela e estudando, fugindo dessa realidade, já minha mãe teve e meio que ainda tem que conviver com ele diariamente(não tanto nos últimos tempos porque comprei um celular pra ela) uma cama pra finalmente conseguir dormir(o que claro deixou meu pai triste :\) e uma Smart TV(ela sempre quis uma), ela internou duas vezes nos últimos 4 meses por estar com fortes enxaquecas, o médico me puxou para um canto e me disse o que eu já suspeitava "Isso é psicológico, puro estresse"
Há pouco mais de 1 ano minha mãe me contou que meu pai anteriormente deu um soco nela, e no dia que ouvi isso eu simplesmente fiquei triste, eu não esperava isso dele, apesar das más experiências... na verdade eu até imaginava que algum dia ele podia partir para a violência, ele sempre foi muito raivoso, mas eu não consegui acreditar que isso já havia acontecido... Bem, meu pai sempre foi de acusar a gente de cometer erros, de fazer o que na verdade ele faz com a gente "Vocês xingam" nunca o xingamos... "Vocês não me deixam falar" Só comecei a interrompê-lo de um ano pra cá, mas já quis fazer isso incontáveis vezes no passado, quando ele não foi capaz de perceber que estávamos desconfortáveis com o que ele estava falando ou até em vezes que vi ele sendo injusto "Vocês não falam direito e querem que eu adivinhe" Logo adiante verão que ele quem fez isso hoje mais cedo... "Vocês querem me deixar louco" O que eu posso dizer que durante minha crise por volta dos 14 anos eu também desenvolvi uma paranóia aonde eu achava que todos queriam me fazer algum mal, todos eram inimigos, isso colaborou muito no meu isolamento, sem amizades, sozinho, apenas consumindo livros e passando muitas madrugadas ouvindo a mesma entrevista do Richard Feynman em loop. Bem, certo dia eu tirei coragem de algum canto, e nesse dia conheci o amor da minha vida, com ela aprendi e tenho aprendido como eu provavelmente cresci em um ambiente um tanto hostil... mas eu nunca levei essa ideia muito a sério...
Eu sempre fui chamado de burro, tanto pelas crianças a minha volta durante a infância, quanto pelo meu pai de diferentes maneiras, e confesso que eu de fato sou um tanto lentinho(apesar de minha mãe dizer que eu falo muito rápido), já fui chamado de "retardado" por uma professora de inglês e durante muito tempo eu fracassei miseravelmente em contas matemáticas porque eu simplesmente não entendia os "porquês" por trás das regras... mas na internet encontrei o necessário pra certo dia conseguir ser chamado de "inteligente" apesar de nunca ter buscado isso, apenas me distanciei das pessoas e fiquei estudando, foram duas professoras, de química e história, também deixei um professor de matemática muito orgulhoso com minha apresentação falando sobre os planetas do sistema solar e minha explicação sobre as equações descritivas da gravidade, ele foi o professor que despertou meu interesse por matemática, ele me explicou que existia lógica por trás das regrinhas, um dos melhores dias da minha vida
Já me consultei com quatro psiquiatras e uma psicóloga, mas foi no meu primeiro psiquiatra por volta dos 14 que eu acho que devo ter tido a dica de qual era meu real problema, naquele consultório eu chorei bastante nos momentos que ele perguntou sobre meu pai, infelizmente meus pais me tiraram de lá porque achavam que ele pensava demais ao invés de dar uma solução. "Ele é meio bobo" esse foi o comentário do meu pai sobre o médico, pode não parecer um comentário tão ruim, mas o "bobo" dele pra mim é algo já bastante carregado. Pois bem, estou escrevendo muito, tá quase uma copypasta isso... Indo direto ao ponto... eu subi num pé de laranja que temos atrás de casa, inclusive agradecendo por poder comer laranjas que meu pai cultiva, então ele entrou em casa irritado dizendo "Não entendo porque a mãe(sim ele chama a esposa de "mãe"...) faz certas coisas..."
Minha mãe então começou a retrucar "O que eu fiz?" "Qual foi meu erro?" E ele não estava (como de costume) comunicando diretamente o que ele viu de errado, não estava facilitando pra ela... ele tende a achar que os outros não merecem facilitação(porque ele diz que nunca teve)
Essa foi nossa segunda grande briga, na primeira vez eu levantei o tom com ele, choramos... nos abraçamos... eu falei pra ele como eu admirava ele apesar dos erros, e tentei dizer pra ele como ele precisava aprender a ser mais querido com sua esposa e começar a pedir desculpas... as coisas não mudaram muito
Bem, hoje eu resolvi me meter de novo nessa discussão deles "Qual o problema pai?" "Sua mãe disse que trocou a água dos cachorrinhos, eu fui lá e a panela não foi trocada" São cachorros pequenos que ficam no terreno nos fundos de casa
Eu acabei insistindo no fato dele ter demorado tanto pra falar o problema
"Tá mas por que você não falou logo qual era o problema pra mãe?"
"Não adianta, vocês querem me deixar louco" "Eu não quero te deixar louco, eu estou comendo laranja"
"Vão lá atrás os dois e vejam aonde tá a água"
E de fato minha mãe esqueceu de dar água para os cachorros, mas eu tentei tranquilizar a situação
"Tudo bem pai, a mãe errou faz parte, eu levo lá pra eles a água"
Eu o ouvi resmungando, e infelizmente eu já não lembro mais o que foi dito a partir daqui...
Mas quando eu voltei eu disse "Negativo!" com um tom de voz alto e levantando o dedo, eu sei que eu estava tentando mostrar pra ele como ele mais uma vez estava invertendo as coisas...
Meu pai se levantou, veio até mim e eu me afastei, meu pai continuou vindo até mim e eu o empurrei, foi então que ele começou a apertar meu pescoço... Eu coloquei minhas mãos no pescoço dele também e o empurrei pra longe Ele ficou dizendo "Quer me bater?" e eu fiquei dizendo que não, minha mãe se meteu no meio e ele ficou me olhando com raiva e acho que ele tentou mais uma vez vir pra cima de mim "Por que você fez isso?" "Você se acha mais forte do que eu!" Dessa vez ele estava levantando a voz e o dedo "Você já vem me ameaçando há muito tempo!" Eu disse pra ele que não, não era minha intenção ameaçá-lo, ele disse que eu o ameacei ao levantar o dedo e minha voz Pela... milésima vez escutei minha mãe dizer " Isso passou dos limites, não dá mais"
E bem... meu pai disse "Você ainda vai perder teu pai" e eu retruquei "E você ainda vai perder teu filho" Ele foi lá para os fundos, com as mãos nos ouvidos(ele costuma fazer isso) mas dessa vez como na primeira eu insisti... eu conversei com ele mais uma vez... ele chorou quando falei sobre o que eu acho que ele sente... choramos bastante Basicamente ele passou pelo mesmo abuso durante a infância e tem cometidos erros porque não teve um amigo pra lhe dizer as coisas que eu o tenho dito nesses últimos meses além de sempre ter se negado a ceder a um "idiota que não resolve nada" vulgo psicólogo, ele não é fã de pessoas "que se acham"... enquanto isso ele diz coisas como "Eu to sempre certo" Mas bem... nos abraçamos de novo, eu pedi desculpas por levantar o dedo e a voz com ele, ele botou as mãos no meu pescoço fazendo carinho e chorando e disse algo como "Você sabe que minhas mãos não querem te fazer mal"
Minha mãe tinha uma viagem pra ir... cancelou... a convenci de ir já que já estava paga e acredito que pode ser bom pra ela...
Meu pescoço dói bastante ainda, e minha mãe tirou fotos das marcas que ficaram(eu nem havia notado tais marcas, não costumo me olhar no espelho) Eu devo fazer BO? Dói pensar em fazer isso...
Eu não sei ao certo porque minha mãe não se separou dele, ela disse já ter tentado mas parece que "ele não sai, e eu não vou deixar minha casa" mas hoje eu tendo a achar que é por conta de eu ainda não ter um carro(tentei tirar a CNH mas a porcaria do carro no dia da prova deu problema nas 4 semanas que fui, por sermos uma família não comunicativa nem sequer processamos a auto-escola(meu pai pagou as aulas))
Bem... por enquanto é isso jovens, estou com medo, bastante triste, mas com esperança de que posso conseguir ajudar meu pai a resolver os problemas que ele não resolveu até hoje. Eu quero ele bem, só tenho medo de não estar vendo as coisas como talvez eu deveria... Eu disse pra ele que não vou relevar esse dia acima da boa pessoa que sei que ele é, meus pais não se amam mais, eu disse isso pra ele, ele parece ter concordado com essa afirmação. É uma situação aonde duas pessoas boas juntas se tornaram ruins, e infelizmente eu estou no meio dessa confusão. No momento vejo dois caminhos possíveis, eu início o "tratamento" dele conversando com ele como nunca fizemos antes na esperança dele considerar ajuda profissional, e caso eu não veja isso como possível, farei o possível pra ajudar minha mãe a se separar dele. É
Obrigado de verdade por ler um pouco sobre mim, desculpe pelo péssimo texto, cabeça tá meio zoada.
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2019.11.25 20:33 Tiagodias01 Pastos

É meu primeiro conto que realmente termino
Escrevo neste papel os pensamentos, já estou cansado de pensar e pensar sem escrever, pois sim, não possuí oportunidades nas quais pudesse ter o hábito de ler e escrever, mas como só escrevo para mim mesmo e para me lembrar, não me importo com isso:
Nasci aqui, minha mulher também, aqui jazem aqui meus pais, e os pais deles, foram velados pelo Padre Manoel Ferreira Cruz em linda cerimônia feita na fazenda, em latim, ele pronunciou lindas palavras, ou lindas elas soavam, pois ninguém as entende exceto ele, mas como meu pai pediu que o funeral dele fosse desse jeito, assim o fizemos. Meu pai não sabia latim, minha mulher chorou mais do que eu, ela amava meus pais, eu a amo. Desceram o caixão lentamente, não vi meu pai, olhava os pastos.
Esses homens que gritam distantes, longe da vista, encontram-se livres na sensação notável na qual se mostra o convívio humano. Posto isso, percebe-se nos homens uma vontade de aparecer mais do que os outros mas ainda se manterem normais, pois ser normal é não se destacar na multidão de caras e pensamentos que rondam as cabeças, e apenas concordar.
Este domingo estive na feira, minha mulher esteve doente, não que seja coisa grave, mas decidi fazer o papel de um bom marido e ajudá-la no que necessitava. Isso pôs-me pensar, qual que será o verdadeiro motivo do casamento, se não mostrar e legitimar perante a deus e homem, que duas pessoas estão unidas no sagrado matrimônio, há algo mais nessa união que mereça um casamento se não um simples apego, cuidado e amor. Se é por amor, as pessoas já não se amam antes de se casarem, não seria esse o motivo, pois elas se amam, mas se elas já se amam por que sentiriam o dever de legitimá-lo, coisa íntima que é o amor. Comprei gengibre, fiz-lhe um chá.
Rogério, o homem dos ovos, vendeu-me hoje uma dúzia de ovos de galinhas d’angola, convenceu-me ao dizer que tinham um gosto mais forte. Essas, ele disse eram especiais, vieram lá dos lados de barreiras, os ovos eram pontilhados, minha mulher comentou que parecia que a galinha tinha posto o ovo cagando. Tomei um café da manhã reforçado, por nenhum motivo aparente além do de querer comer mais do que devia, isso alegrou a minha esposa, alegrou-me também.
Minha esposa se manteve na cama por um bom tempo, este que nos definha e corrói nossa memória. Cingi-a de vermelho o rosto branco, ao beijá-la na aurora. Cansado, preparei-nos um café, preto, forte, robusto, falei por horas enquanto ela se manteve na cama. Minha senhora minha esposa, poderia se pronunciar, há tempos que não te ouço, Desculpe-me meu marido, estou cansada, a doença tomou-me por completo.
Os dias passam e o pensamento se estende ao sentar-me aos meus portais. Pernas esticadas escrevendo, ou lendo, mas pensando em minha esposa e nos beijos à aurora. Me faltava a coragem de chamar ajuda, todo homem deveria ser capaz de cuidar da sua mulher.
Às pedras, do meu jardim. Eu me sinto um homem fadado, fadado além de todas as outras coisas que um homem pode estar fadado a ser, me sinto fadado à estar morto, e quando morrer, morrerei, debaixo das pedras, do meu jardim.
Minha esposa não é capaz de ter filhos. Ela se sente uma mulher falha, tenho que relembrá-la toda manhã que não. Eu amo, mas duvido. A doença está piorando, sento-me ao seu lado na cama. Será que viverei para ver nossos filhos?, Claro, com certeza.
Já faz dois meses que ela não sai da cama, constantemente chama por sua mãe. Já não olha nos meus olhos, se pergunta quem eu sou e lhe respondo. Sou eu, seu marido. Ela cala e parece-me confusa, como se estivesse em dúvida se realmente tivesse um.
O médico, com sua figura austera, manteve-se calmo, não amigável, calmo. O homem, ao qual todos depositavam extrema confiança, assustou-me e ainda mais à minha mulher. Com a sombra dos óculos cobrindo seus olhos examinou minha mulher por inteiro, não me senti ofendido, mesmo nas situações mais grotescas, terminado o processo, ele calmamente fez uma breve saudação e saiu, caminhou até o carro, entrou e tomou seu rumo, sem dizer palavra.
No outro dia voltou, com mais dois ajudantes, puseram-na numa maca e levaram-na, vi o carro lentamente descer a estrada até sumir de minha vista e depois até o pôr do sol, sem me mover, ou dizer palavra.
A mirar os pastos tais, verdes por natureza, semeados de sol pelas nuvens esparsas que por si mesmas também semeavam o céu. Sentei me no barro, a fazer homens, sabia que não o eram, mas queria que fossem. Pois-se o pai que criou-nos foi apenas um homem que fez criaturas de barro, seríamos tão importantes quanto estas. Olho para os céus, sinto vontade de xingar o paraíso, mas pensei melhor, se Deus nos fez à sua imagem e semelhança, por que não faria o próprio mundo que nos cerca à imagem e semelhança do seu lugar no paraíso, ao pensar nisso senti pena do céu, e não o fiz. Uma desolação me preencheu pelo resto.
Jejuei, quatro, cinco, seis dias, ou mais, estava sem fome, ou melhor, sem vontade, minha rotina nesses dias era restrita à sentar nos portais, mirar os pastos. Sofre-se sem ela.
Hoje minha senhora minha esposa morreu. Ou talvez ontem, não sei. Recebi a notícia do médico, ríspido. Esposa morta, enterro, sinceros sentimentos. Não importa, talvez tenha sido ontem.
Sem âncora para me manter preso ao porto da humanidade sentei-me na laje e como essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Logo após o enterro, mirei as pedras, tomei uma nas mãos e bati-a com toda a força na minha cabeça. Vi à minha mulher, caminhando, sobre os pastos.
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2019.11.05 17:07 viniciuskolling O que seu cão pensa, vai te abalar, quer apostar?

Oi, Eu sou o seu cão…
Eu sou o seu cão e tenho algo que gostaria de sussurrar em seu ouvido.
Eu sei que vocês seres humanos levam uma vida ocupada.
Certamente alguns precisam trabalhar, outros têm filhos para criar.
Aliás, parece que vocês estão sempre correndo aqui e ali e muitas vezes não conseguem perceber as grandes coisas na vida, o que realmente importa.
Quando sinto sua tristeza, eu tento te fazer sorrir.

Sua Felicidade é a minha também…

Se vejo que está alegre, como isso me faz feliz!
Eu não sei qual é o melhor aroma no ar.
Só sei que o seu perfume é o melhor.
Nunca lhe pedi para me deixar bonito, nem para me adestrar…
Também não lhe peço bons alimentos ou me levar no veterinário, nem isso nem coisa alguma…
Logo, se não puderes me comprar uma casinha, me conformo com um trapinho no chão…
Definitivamente, aonde quer que você me coloque, eu sempre vou te proteger.

Olha pra mim, por favor…

Olhe para mim agora, enquanto você está sentado aí no seu computador.
Percebe a maneira como os meus olhos castanhos escuros olham para o seu?
Eles são um pouco nublados agora: isso vem com a idade.
Os cabelos brancos estão começando a tocar meu focinho macio.
Eu vejo o amor em seus olhos.
O que você vê nos meus? Você vê um espírito?

Encontro de Almas…

Talvez vejas alma aqui dentro que te ama como ninguém no mundo poderia amar?
Um espírito que pode perdoar todas as suas ofensas e todos os seus defeitos?
Eu sou o seu amor mais puro, inocente, sem querer nada em troca.
Isso é tudo que eu peço: pegue leve, mesmo que por alguns minutos, para estar comigo.
Às vezes, nós envelhecemos tão lentamente diante de seus olhos que você não consegue perceber até que seja o fim.
Posso não estar aqui amanhã, posso não estar aqui na próxima semana.
E você vai estar com raiva de si mesmo porque simplesmente não teve mais um dia ao meu lado.

Se você estiver triste, triste eu também ficarei…

Eu te amo tanto, mas sua tristeza também toca o meu espírito e me entristece.
Nós podemos ter esse tempo juntos agora.
Então venha, sente-se aqui ao meu lado no chão, e olhe profundamente em meus olhos.
O que você vê?
Vamos falar, você e eu, de coração a coração.
Não venha até mim como “alpha”, “treinador” ou mesmo “mãe ou o pai”.
Venha até mim como uma alma viva e deixe-nos olhar profundamente nos olhos um do outro, e conversar.
Posso dizer-lhe algo sobre a diversão de correr atrás de uma bola de tênis, ou posso dizer-lhe algo profundo sobre mim mesmo, ou até mesmo a vida em geral.

Sua escolha…

Você decidiu me colocar em sua vida porque queria uma alma para compartilhar tais coisas.
Alguém muito diferente de você, e aqui estou eu.
Eu posso ser um cão, mas eu tenho coração.
Eu tenho sentimentos, emoções, fragilidades.
Eu não penso em você como um “cão em dois pés”.
Eu sei o que você é.
Você é humano, em toda a sua estranheza, e eu ainda te amo.
Sim, eu sou um animal, sou um cachorro criado por Deus, porém também os cachorros sentimos e temos coração…

Enfim…

Chegará o dia, em que partirei dessa vida, e quero que saiba que lá no céu dos cães, eu sempre serei grato por tudo o que você fez por mim, e principalmente pelos anos que passamos juntos…
Agora, venha sentar-se comigo no chão.
Abra o seu coração e tenha tempo para mim.
Olhe profundamente em meus olhos e sussurre para os meus ouvidos.
Vamos compartilhar este precioso momento que ainda temos juntos.
Com amor, seu cachorro! - Fonte: Do Pátio ao Sofá de Casa
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2019.07.07 23:07 almofarizdosombra Feedback sobre texto

Nos últimos tempos, tenho andado a escrever uma pequena história e gostava de ter algum feedback. Já mostrei a alguns amigos, mas queria obter outro tipo de feedback menos parcial. O objetivo não é necessariamente publicar, mas também melhorar e aprender algumas coisas. Deixo aqui os primeiros três capitulos. É um romance dramático. Desde já obrigado a quem tirar um pouco do seu tempo para ler. Qualquer tipo de feedback é apreciado.

I
Sempre Bem
Sinto o seu cabelo suave enquanto lhe acaricio a cara lisa e macia. E linda. Muito linda. Aqueles cabelos sempre foram a minha perdição. Pretos, encaracolados, macios e cuidadosamente bem tratados. Mas não se pense que sou fraco, afinal até os homens mais fortes têm fraquezas. Vide o exemplo do Super Homem, individuo possuidor de uma super força, uma super velocidade, invulnerável até à mais poderosa bomba nuclear. Exceto à kryptonite. Com as devidas diferenças, eu acredito que sou um Super Homem. E aqueles cabelos são a minha kryptonite.
Ela agarra-me a mão como ninguém sabe agarrar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
Aproximo-me até estarmos quase colados. Ela está estranhamente calma. Eu estou estranhamente calmo. É como se já soubéssemos o que vai acontecer. Na verdade, não era difícil de advinhar. Há coisas na vida que são inevitáveis como o céu ser azul, depois de sábado ser domingo ou a morte. Mas mesmo nas inevitabilidades, a vida consegue ser imprevisivel. Peguemos no exemplo da morte: toda a gente sabe que vai morrer, mas não sabe quando, como, onde nem porquê. Até há quem já esteja morto e ainda não saiba. Mas eu não gosto de pensar na morte. Eu, qual Super Homem, estou sempre bem.
Os nossos lábios tocam-se ou pelo menos eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza porque não sinto. Nada. Todo aquele momento inevitável que era suposto ser o pináculo da nossa relação até então, tantos rios que fizemos para desaguar naquele mar e agora estou adormecido. Vem-me à cabeça Let It Happen de Tame Impala.
It's always around me, all this noise, butNot really as loud as the voice saying"Let it happen, let it happen (It's gonna feel so good)Just let it happen, let it happen"
All this running aroundTrying to cover my shadowAn ocean growing insideAll the others seem shallowAll this running aroundBearing down on my shouldersI can hear an alarmMust be morning
É mesmo de manhã. Pego no telemóvel para ver as horas: 7:30. Foda-se, já estou atrasado. Procedo à minha rotina matinal: desligo o alarme; levanto-me da cama; ligo a torneira para aquecer a água; vou buscar a toalha e a roupa interior; sento-me na sanita a pensar na vida enquanto espero que a água aqueça; tomo banho; volto ao quarto para me vestir; como o pão com manteiga e bebo o café que a minha magnífica mãe pôs na secretária enquanto estava no banho; arrumo o PC e o carregador na mochila; ponho os headphones e ligo o Spotify. Tudo isto em meia hora. Não sei se é rápido ou lento, mas já sigo esta rotina há tanto tempo que o faço inconscientemente.
No caminho até ao autocarro, cruzo-me sempre com quatro cães. O primeiro é pequeno e peludo e traz consigo uma certa inocência e fragilidade; o segundo é já bem mais forte e imponente, mas muito calmo e pacífico. Acho que nunca o vi a ladrar ou sequer agitado o que não é muito normal para um cão daquela envergadura; o terceiro é a personificação do ditado “cão que ladra, não morde”; por último, mas não o menos importante, um pouco mais distante dos outros três, está o meu favorito: um pastor alemão de médio porte, tristonho, solitário e carente. Não sei o que se passa com ele, mas, seja a que hora for, está sempre deitado no chão no mesmo cantinho a olhar para a pequena porta gradeada à sua frente, esperando uma alma caridosa que passe para lhe dar o carinho que ele necessita. E eu bem tento, mas ele não me deixa. É bem jogado, eu não sou de confiança. Dejá vu. Tenho tanta pena dele que até já pensei em raptá-lo para lhe dar uma casa em que ele seja amado. Até comentei isso com ela.
Nós falamos tanto. Não me lembro da última semana que passei sem falar com ela, seja por mensagens ou (o meu favorito) pessoalmente. Por vezes estou eu perdido nos meus pensamentos como muitas vezes acontece e dou por mim a pegar no telemóvel e mandar-lhe uma mensagem. Falamos da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Ela tem uma cadela linda. Gosto tanto dela que é o meu wallpaper do telemóvel.
Já cheguei e nem reparei. Faço isto tantas vezes que já é automático. Instantâneo. Às vezes gostava que não fosse assim, que tomasse mais atenção ao que me rodeia, que aproveitasse mais os momentos, mais lentamente. Na verdade, neste caminho rotineiro, só há duas coisas às quais presto atenção e vejo com olhos de ver: cães e mulheres. Os cães iluminam o meu dia e aquecem o meu coração de tão fofos e inocentes que são. As mulheres fazem-me viajar. Por cada uma que passo, reparo nos seus traços, na sua postura, no seu olhar e imagino que aquela pode ser o amor da minha vida. Mas não é. Nunca é. E ainda bem para elas, certamente estão melhores sem mim. Dejá vu.
Chego ao portão e vou buscar o telemóvel para ver qual é a sala. Tenho uma mensagem do Diogo. «Não vens à avaliação?». Foda-se, esqueci-me. Não faz mal, eu safo-me, estou sempre bem.
II
Música Fria
“Isola-se a incógnita no primeiro membro e passa-se tudo o resto para o segundo membro com a operação inversa”.
Olham todos para mim com raiva e inveja. Outra vez.
“Certo, mais uma vez, mas na próxima não quero que sejas tu. Quero ouvir os outros”.
Eu não pedi isto. Eu não tenho culpa. Parem de olhar assim para mim. Enfio a cabeça no caderno e tento afastar os olhares, a inveja e a raiva da minha cabeça. Foca-te. Pensa em momentos melhores. Respira. Quem me dera que a Filipa gostasse de mim. Não, é impossível. De todos os pretendentes, nunca me iria escolher. Quando tens pretendentes muito mais fortes, confiantes e experientes, porquê escolher o mais fraco? Para não falar da beleza dos candidatos que é um fator muito relevante nestas discussões. Aí a diferença é abismal. A única vantagem que tenho é que somos amigos, mas a amizade não conta muito nestas coisas.
Dou por mim a resolver o resto dos exercícios. Já é automático. Instantâneo. Para mim, a matemática corre-me nas veias. Quem me dera que fosse assim nos outros aspetos da vida. Quem me dera que todos gostassem de mim. O meu sonho é que um dia toda a gente goste de mim. Vai ser tão fácil viver sem os olhares de julgamento, a inveja, o ódio.
Levantam-se todos, é hora de intervalo. Dez minutos a respirar ar fresco enquanto dou voltas à escola. Apesar de tudo, uma pessoa tem que se manter em forma. Se passo o dia numa sala e as aulas de educação física são o que são, como é que é suposto manter a forma física? Além disso, não tenho mais nada de interessante para fazer. Os temas de conversa são aborrecidos, não aprendo nada. E se não estou a aprender ou a evoluir é uma perda de tempo. Encontro a Filipa ao voltar para a sala. “Vais ficar hoje?”. Hoje é a reunião dos pais e normalmente a turma toda fica lá fora à espera deles. É melhor que ficar em casa sozinho com fome à espera que a tua mãe volte para te fazer o jantar. Assim pelo menos posso comprar um Snickers na máquina para enganar a fome. “Não sei.”. “Fica. O que é que vais fazer em casa sozinho?”. Eu já sabia que ia ficar. Estava só a fazer um teste para ver se ela se importava.
As aulas da tarde são sempre a mesma coisa. O que é habitualmente uma turma irrequieta, está agora apática.
“Dom João quarto casa com Luísa de Gusmão a 12 de janeiro de 1633”.
Quem me dera viver nesta época. Era tudo tão mais fácil. Evitava-se todo este jogo para descobrir se aquele era realmente o amor da tua vida, se vale a pena continuar, se vale a pena tentar ou se o amor da tua vida existe sequer. Simplesmente combinavas com outra pessoa que iam ser o amor das vossas vidas. Dava jeito a toda a gente. Evitava-se todo o tipo de confusões, dramas e lamúrias. Há quem diga que isso é que traz a magia às coisas. Eu digo que é uma merda. No modelo antigo, pessoas como eu podiam ser felizes. Assim, a possibilidade é bastante baixa para não dizer nula.
“Qual é a tua música favorita?”, pergunta-me a Filipa enquanto vejo a mãe a passar.
“Não gosto de música”.
“O quê?! Nunca conheci ninguém que não gostasse de música. É impossível. Toda a gente gosta de música.”.
“Eu não gosto”. Desta vez não estava só a tentar ganhar a atenção dela, é mesmo verdade, não gosto de música.
“Vou-te mostrar uma música.”. Olha para o telemóvel e põe uma música. Até não é má.
“É uma música fria”.
Ri-se. “És estranho.”. Diz isto enquanto me olha nos olhos. “Olha quero pedir-te um favor.”.
“Diz”.
“Ando a ter algumas dificuldades com matemática e pensei que tu me podias ajudar. Podíamos aproveitar este tempo e tu vinhas a minha casa fazer os TPC’s comigo. Que achas?”.
Ela não tem dificuldades a matemática. Pelo menos nunca aparentou ter até agora. Ou será que tem? As aparências iludem. “Pode ser”.
Sorri. “Vamos então.”.
É a primeira vez que alguém me convida para a sua casa. Não sei o que esperar, mas vai ter que ser rápido senão a minha mãe preocupa-se. Provavelmente consigo fazer aquilo tudo em dez minutos sem problema.
Afinal é isto. Mesmo que me tivessem dito que ia ser assim, que era disto que devia estar à espera eu não acreditava. Olho para o meu lado esquerdo e vejo a Filipa um bocado abatida. Compreensível. Se para mim foi anticlimático, imagino como terá sido para o outro lado. Tenho que dizer alguma coisa para tentar mudar este momento.
“Gostei da música que me mostraste. Põe outra vez.”. Vejo-a levantar-se, pegar no telemóvel e pôr a música. Acho que resultou. Pelo menos para mim o ambiente está melhor.
III
Tem de Ser
Estico-me para chegar ao telemóvel. “Posso meter uma música?”. Incrível como passados estes anos todos ainda continuo a ter os mesmos hábitos.
“Claro.”. A Sofia olha para mim como se aquele fosse o melhor momento da sua vida e eu fosse o principal responsável por isso. Chego-me perto para retribuir. Beijo-a ao som da Musica Fria. É um bom momento. Por alguns instantes, engana-me. Mas não é ela.
Volto ao telemóvel e abro as mensagens. Já não lhe mando uma mensagem há muito tempo. «Olá». Ela já sabe como isto funciona. Daqui a umas horas, vai-me responder e vamos falar da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Talvez até tenha sorte e receba alguns vídeos da cadela dela.
“Na quarta saio mais cedo. Podias vir aqui.”. A Sofia quer demasiado. É sempre aqui que as coisas começam a descambar. A minha vida amorosa é um ciclo vicioso. Começa sempre no verão e com ele vem uma sensação escaldante, uma energia renovada, a vontade de fazer mais e melhor a cada dia que passa. É por esta fase que ainda não desisti. É por isto que quase vale a pena. Sorrateiro, mas sem piedade, chega o outono. As folhas verdes e viçosas que antes emanavam esperança, estão agora castanhas e cansadas espalhadas pelo chão. É aqui que percebo mais uma vez que ainda não é esta. Não é ela. Aquilo que fazias no verão já não o consegues fazer. É demasiado frio. Agasalho-me para me sentir um pouco mais quente e preparar o inverno. Chega o inverno rigoroso. Todos os anos chega de rompante, sem avisar, sem dó nem piedade. Deixa-me a tremer de frio. Já não faço nada do que fazia no verão, só me apetece ficar em casa à espera que passe a tempestade. Lentamente, chega a primavera. Sinto um cheiro a ilusão no ar, há uma esperança renovada, uma certa vontade de voltar a repetir tudo à espera que desta vez o resultado seja diferente.
Repetir a mesma coisa vezes sem conta à espera de um resultado diferente: a definição de loucura. Todos os génios têm um pouco de loucura e eu, como génio que sou, não fujo à regra. Como génio a minha primeira invenção será um sistema de emparelhamento de casais. Nada dessas aplicações de encontros que há por aí. Nada disso. O meu sistema vai oferecer uma probabilidade de 99,9% dos participantes encontrarem o amor da sua vida. Para isso, os candidatos terão que passar por várias relações com término definido, a fim do algoritmo estudar as suas reações nesse espaço de tempo e também ao término inesperado da relação. Ah sim, esqueci-me de dizer que nenhum deles vai saber quando a relação acaba, isto para fazer com as reações sejam genuínas, com o objetivo de obter dados com a maior credibilidade possível. Também não vão saber quantas relações terão que passar até atingir o tão esperado amor da sua vida ou quanto tempo isso vai demorar. Agora que penso, se calhar este sistema já existe. Se calhar eu estou neste sistema. Se calhar estamos todos neste sistema. Se estivermos mesmo, eu sou a anomalia estatística. O 0,1%. A margem de erro. Não se pode ter sorte em tudo.
“Claro, achas que não ia aproveitar mais uma oportunidade para estar contigo?”. Tretas. Mentiras que eu repito na minha cabeça para me fazer acreditar que é mesmo verdade quando já sei o desfecho desta história.
Ah!, aquela última semana de verão. Acho que desta vez vou já fechar-me em casa no outono. Parece-me que este vai ser rigoroso.
Vejo-a passar no corredor. Ela repara em mim e vem dar-me um abraço. Adoro estes abraços. Ela abraça-me como ninguém sabe abraçar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
“Estás bem?”.
“Estou sempre bem, já sabes.”.
Vou ao bolso e tiro aquelas bolachas que ela gosta. Dou-lhe uma e começo a comer a outra. Adoro ver aquele sorriso que ela faz quando lhe dou a bolacha. É como se soubesse o que aquele gesto significa para mim.
“Não pareces bem.”.
Ela conhece-me demasiado bem. Demasiado até para o seu próprio bem.
“Mas estou, acredita. E tu?”.
“Já estou melhor. Um dia de cada vez.”.
Fico triste que ela não consiga ser 100% feliz. Se há pessoa que o merece é ela. Gostava de fazer mais por ela, mas não posso. Não consigo. Dou-lhe um beijo na testa e sigo para a aula.
«Hoje vou fazer aquela massa que tu gostas <3». A Sofia faz questão que eu não me esqueça dos nossos compromissos. Olho lá para fora e sinto o outono a chegar. Há uma certa beleza e tranquilidade nesta parte. Apesar de saberes que vêm aí tempos mais frios, ficas de certa forma contente porque tens a consciência do que está a acontecer. Assim, evitas ser apanhado de surpresa e, de repente, ficas sem tempo para te agasalhar. E tu não queres isso. Não queres, porque é assim que ficas doente.
Estou cá fora a fumar um cigarro enquanto olho para a porta. Porque é que estou a fumar? Eu só fumo quando estou stressado. Ou será que isso é uma mentira que eu repito para mim mesmo até acreditar, como tantas outras? Mas esta tenho quase a certeza que é mesmo verdade. Eu passo meses sem fumar até que um dia decido fumar um cigarro. Nestas fases nunca fumo mais do que um maço. Eu nem me apercebo quando elas começam porque não é sempre no outono. É como se o meu corpo dissesse que precisa de nicotina e eu lhe desse o que ele quer. Como muitas coisas na minha vida, já é automático. Instantâneo. Lucky Strike. Reza a lenda que tem este nome, porque, antes da marijuana ser ilegal, alguns maços continham um cigarro de marijuana como bonus.
Já chega. Pára e vai fazer aquilo que vieste aqui fazer. Toco à campainha. Se demorar muito, vou embora. Está calado, faz-te homem. Tem de ser. Há coisas na vida que tem mesmo de ser. É como se costuma dizer: o que tem de ser, tem muita força. Tanta força que me consegue empurrar escada acima, até ao quinto direito, para fazer aquilo que eu não quero fazer. Mas tem de ser.
Recebe-me com aquele sorriso que fazia derreter o coração de muitos. És tão boa para mim, Sofia. Foste tão boa para mim, Sofia.
Oh, I have been wondering where I have been ponderingWhere I've been lately is no concern of yoursWho's been touching my skinWho have I been lettingShy and tired-eyed am I today
Sometimes I sit, sometimes I stareSometimes they look and sometimes I don't careRarely I weep, sometimes I mustI'm wounded by dust
Nada dói mais do que o som duma porta a fechar. O impacto foi tão forte que caí para trás. Fico sentado encostado à parede a olhar para aquela porta que se acabou de fechar. Mais uma. Passa mais uma. Eu não quero saber, podes olhar. Sim, estou aqui no chão a chorar enquanto olho para a porta da mulher que acabei de rejeitar. Algum problema? O único problema aqui é tu não seres ela. Quem me dera que fosses. “É ela, não é?! Eu já sabia!”. Ela não te diz respeito, por isso, quando falares dela, falas com respeito. Era o que devia ter dito, mas eu sou fraco. Nestas questões, sou fraquíssimo. Mas se até o Super Homem tem uma fraqueza, eu também posso ter. No entanto, o que é o Super Homem sem o amor? Podes ser o imperador do mundo inteiro, da galáxia inteira, mas sem amor não és homem nenhum, quanto mais Super Homem.
E se eu me atirasse daqui? Será que morria? Se eu morresse, ninguém ia querer saber. Só ela. E mesmo ela ia ficar triste inicialmente, mas depois ia passar. Até é melhor para ela, evita-se a inevitabilidade a que todas as minhas relações se destinam: fracasso. Todas as amizades, todos os namoros acabam por dar mal de uma maneira ou outra e o pior é que sugo sempre um bocado da outra pessoa comigo. Prefiro não estar cá para ver isso acontecer com ela. Até agora pensei sempre na razão de eu ter tanto azar, afinal eu sou boa pessoa. Agora percebi finalmente. Só há uma possibilidade, um denominador comum, uma pessoa em falta: eu.
Chegou a hora de eliminar os denominadores, mas antes disso tenho que lhe deixar uma mensagem para ela saber o quão boa foi para mim. Desculpa.
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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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Por que dizer 'EU TE AMO' é tão difícil